Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010

Blue Let's Dance Party

 

Saber criar é assumir o risco de apresentar algo ao mundo para ver como se desenvolve e se transforma. Assim surgem os filhos, as músicas, os discos, os livros, as ideias, as marcas, os amores, os sonhos, as lutas e tudo mais... Um bom projecto ou ideia não está assegurado pela sua patente ou registo, mas sim pela capacidade de se transformar, convencer e, sobretudo, seduzir... É isso que temos feito com a nossa marca Blue e tenho a certeza que vamos continuar a surpreender.

 

No passado dia 10 de Novembro, véspera da comemoração dos 35 anos de independência da Republica de Angola, ficou provada mais uma vez a nossa capacidade em organizar eventos capazes de agradar e surpreender os consumidores, confirmando cada vez mais a assinatura desta marca: Blue – A Vida é Uma Festa.

 

Foi em ambiente de grande festa, alegria, diversão e boa disposição que decorreu o Blue Let’s Dance Party, evento organizado com um duplo objectivo: Apresentar oficialmente ao mercado e aos consumidores o novo sabor da Blue (Blue Guaraná) e associar a nossa marca mais importante, à comemoração dos 35 anos de independência de Angola. O objectivo foi cumprido. 

 

Escolhemos o Lookal, na Ilha de Luanda, para mais uma festa animada. Desta vez, o Blue Let’s Dance Party, que levou ao rubro todos os que compareceram e estiveram connosco até ao aparecimento dos primeiros raios de sol, no horizonte.

O warm up, esteve a  cargo dos “meus dois putos” DJ’s Big Renas e DJ Axel Joka. Vocês representam o espírito jovem, a polivalência, a alegria e o profissionalismo da nossa equipa. É um prazer trabalhar com vocês. Obrigado! 

 

O atractivo principal do Blue Let’s Dance Party, foi o já considerado melhor Dj do Mundo: Erick Morillo. Coube-lhe a ele levar ao rubro as cerca de 2000 pessoas, que pareciam incansáveis, pela forma como vibravam e dançavam durante a noite. No auge da festa foi a vez do DJ Malvado dar continuidade à animação. Ao som de alguns dos maiores sucessos do momento, como o “Do Cambuá” e “Windeck”, Malvado manteve todos os tchiladores animados até às 7 da manhã.

 

Mais uma batalha vencida, enquanto vou esperando ansioso pelo nascimento do Afonso. Faltam dois meses e a ansiedade é grande. Como é bom ter um motivo assim para sorrir no meio de tudo isto.

 


publicado por Conde de Angola às 20:18
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Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

A Vida É Uma Festa!

 

Já lá vai mais de um ano que aqui não venho… Bolas como o tempo passa! Voltei onde tudo começou… mas é diferente, tudo é diferente, tudo é melhor!

Estava com saudades deste espaço… não vim mais cedo, precisava de um motivo bem forte para voltar a escrever. Neste momento, se colocar um espelho em cima do monitor do pc consigo ver o meu sorriso. Estou tão feliz… aconteceu o que mais desejava. Apetece-me abrir a goela e gritar aos quatro cantos do mundo: VOU SER PAI OUTRA VEZ! É verdade, a Susana já carrega na sua barriguita um bebé com 8 semanas… neste momento não passa de um pequeno feijãozinho, mas já vi o coração bater e bate que se farta. Neste momento estou a habituar-me a ti lá dentro, abraçar-te e beijar-te através dela… nunca mais vou esquecer a sensação de, quando me deixo dormir abraçado a vocês dois, sentir que tenho o mundo nas mãos.

 

Desde o último post até agora muita coisa aconteceu na empresa. Vou tentar recuperar os testemunhos perdidos no tempo... Se bem se recordam da última vez apresentei-vos em primeira mão a Red Cola, entretanto já lançámos mais quatro novas marcas: A Flash (sumo com gás), o Tutti (Sumo sem gás), a Speed (Energérica) e o Cuia (sumo para crianças). Para conhecerem um pouco melhor cada uma destas marcas podem ver o site da Refriango em www.refriango.com, vão gostar.

 

Há cerca de um mês terminámos a quarta edição do Blue Road Show. Este ano percorremos com o Heavy C e os Vagabanda as cidades do Bié, Huambo, Uige, Ndalatando, Ondjiva, Namibe, Lubango, Luena, Saurimo e Wako-Kungo, em mais uma grande aventura pelas estradas de Angola, levando a festa da Blue aos lugares mais longínquos deste país. A Blue é sem dúvida a estrela da companhia, por tudo o que tem feito no mercado angolano, foi reconhecida como Superbrand de Angola e ganhou uma medalha de prata no concurso internacional “Monde Selection”.

 

É de tal forma importante que teve a ousadia de desafiar o consumidor angolano a escolher

 o sabor que deveria lançar. As opções eram: 1) Tamarindo, 2) Guaraná, 3) Tangerina. Os 140.000 votos que recebemos por telefone e sms apontaram como sabor vencedor o Tamarindo, ou como se diz por cá Tambarino… não interessa como se diz o que conta é que são da Blue. Angola escolheu, Blue Tamarindo nasceu e já está a dar muito que falar.

  

A dar que falar está também a terceira edição do Blue Festival 2010 que aconteceu no passado dia 19 de Junho no Lookal São Jorge na ilha de Luanda, de tal forma que a MTV Portugal vai transmitir.

 

Aproveito a oportunidade para mandar um grande abraço ao Diogo Dias e ao Fernando Figueiredo da MTV (grandes camaradas)… desculpem se não Vos dei a atenção devida, mas como puderam ver com os Vossos olhos, aqui temos de ser pau para toda a obra.

 

 Cerca de 3500 pessoas assistiram à actuação dos melhores DJ’s da cena internacional e nacional, ao

 nível da música electrónica, numa festa que durou até sete e meia da manhã, Pete tha Zouk, Pedro Cazanova, MC Grace, DJ Malvado e o nosso grande Axel Joka, foram as cabeças de cartaz. O espaço estava lindíssimo, com áreas distintas, cuidadosamente decorado e de conotação “hi-tech”. Durante a noite assistiu-se ainda às performances de vários artistas, com destaque para o “robot luminoso” e as artistas circenses que vaguearam pelo meio do público, surpreendendo pelas dimensões, pelo movimento e visual “tecno”. Dançarinos aéreos actuaram suspensos em panos e cordas que pendiam das estruturas do palco, desenhando acrobacias, valendo-se da plasticidade do corpo e do ritmo, causando grande impacto junto do público. Aliás,

dinamismo e movimento não faltaram ao festival para o que muito contribuíram as projecções de imagens alusivas aos ritmos que se faziam ouvir, em dois globos gigantes, que marcavam o espaço, e na tela principal. Eu sei que sou suspeito de falar, mas foi um dos melhores eventos de sempre realizado em Angola… é por tudo isto que digo: A vida é uma festa!

 

Beijos e Abraços,

 

 

Conde de Angola


publicado por Conde de Angola às 23:06
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Domingo, 10 de Maio de 2009

Red Cola - Momento Zero

Lançámos este sábado a nossa nova cola. Chama-se Red Cola e tem um potencial fantástico. O produto está muito bem conseguido e a comunicação criada para promover esta nova marca está de arrasar. Quem dá a cara pela Red Cola são os SSP, através do Big Nelo e do Jeff Brown, e o Miguel Lutonda que é nada mais nada menos que a grande figura do Basket em Angola.

Foi precisamente no jogo de basket mais importante da época, o derby 1º D’Agosto VS Petro de Luanda que fizemos o lançamento da Red Cola, no dia em que a equipa do Lutonda (1º D’Agosto) se sagrou campeã nacional de basket.
Não foi à toa que no post anterior fiz o elogio à nossa equipa… mais uma vez provou que são excelentes profissionais e percebem a importância de fazer acontecer, mesmo sob uma chuva terrível. O certo é que quando a chuva parou tínhamos tudo preparado para arrancar com o lançamento oficial da Red Cola. A expectativa era grande, estávamos bastante ansiosos para tentar perceber qual iria ser a reacção das pessoas ao nosso novo produto e há medida que íamos oferecendo a Red Cola ao público entusiasmado com o jogo, íamos percebendo que estávamos perante um produto de enorme potencial no mercado angolano. Os próximos tempos vão ser durinhos, com acções atrás de acções para tornar a Red Cola na cola preferida dos angolanos.
Entretanto a outra metade da equipa estava em Malange para dar continuidade ao terceiro espectáculo do Road Show Blue 2009, que mais uma vez correu muito bem… e que descanso é, saber que posso contar com a Team mesmo estando tão longe deles. Obrigado pelo Vosso trabalho rapazes.
Malange fica localizada no Centro/Norte de Angola e é constituída por 14 Municípios, onde a língua mais falada é o Kimbundo, apesar do Kikongo e Ambundu também terem bastante expressão.
Na história, Malange ficou marcada pelo massacre da Baixa de Kassange, considerado por alguns como o primeiro grande momento da rebelião nacionalista angolana. É uma das províncias mais bonitas de Angola, com pontos turísticos de grande interesse onde se destacam as famosas quedas de Kalandula e as Pedras Negras de Pungo Andongo. Há uns meses atrás tive a oportunidade de ver de perto estas duas maravilhas da natureza. Kalandula é uma pequena e acolhedora povoação, situada no alto de um planalto que conserva ainda algumas marcas do colonialismo, imortalizada pelas imponentes quedas de Kalandula, as segundas maiores de todo o continente Africano, impressionantes pela sua extensão, beleza e todo o poder que a força da água emana ao cair os cerca de 100 metros... são absolutamente inenarráveis!
Não menos majestosas são as Pedras Negras de Pungo Andongo onde ainda é possível encontrar  a harmonia entre o homem e a natureza. O misticismo que carrega cada uma destas pedras remete-nos para tempos de rainhas e de batalhas que nos conquistam o coração com o seu silêncio.
Marco e Sofia, a experiência ensina-nos que amar não significa duas pessoas a olhar uma para a outra, mas ambas a olhar na mesma direcção… Que sejam muito felizes. Parabéns!
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 20:58
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Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Road Show Blue 2009

Kuito, capital da província de Bié, em tempos uma cidade florida, deixou de o ser quando em Janeiro de 1993,acordou mais cedo com o barulho destruidor das granadas disparadas pela Unita. Demorou 12 dias até que as tropas do MPLA ajudadas pela população civil conseguissem rechaçar o inimigo… infelizmente o som e a fúria da guerra voltariam à cidade três meses depois com uma Unita muito mais forte… Daqui em diante é guerra, histórias tristes e de sofrimento, hoje preservadas nas imagens impressas para sempre na retina dos seus sobreviventes.

 

Foi precisamente nesta cidade que demos início à terceira edição do “Road Show Blue”, projecto este que é muito mais que um evento cultural, é todo ele um trabalho carregado de solidariedade para com um povo que viveu momentos difíceis nos anos mais complicados da guerra.
Este ano temos connosco, como cabeça de cartaz a cantora Ary e a avaliar pelo que aconteceu nestes dois primeiros espectáculos estamos confiantes que este será o melhor Road Show Blue de sempre. A simpatia que mete em palco e a interacção que consegue com o público, muito bem acompanhada pelo DJ Big Renas e pelo Kayaya Júnior fizeram vibrar as plateias no Kuito e no Huambo. Na próxima semana vamos para Malange e só paramos no dia 20 de Junho em Luanda depois de passarmos pelas províncias de Benguela, Huila, Namibe, Zaire, Uige e Moxico.
Vai ser uma verdadeira volta a Angola mas estamos confiantes, a equipa está cada vez mais forte e operativa… vai ser canja.
Apesar de estar há pouco tempo convosco, sei com o que posso contar de cada um e todos os dias o meu orgulho na nossa equipa cresce. O que temos feito é digno de uma verdadeira equipa campeã. O trabalho que estamos a fazer vai ficar na história deste país, não tenho dúvidas disso. Estamos cada vez mais unidos e solidários e o que nos fortalece, a cada dia que passa é o espírito de entreajuda que temos… acreditem que Vos sinto como uma segunda família. Hoje, todos temos consciência da responsabilidade que nos vai ser depositada, agora que vamos lançar mais duas marcas no mercado, mal tal como eu, acredito que também vocês estão confiantes e optimistas, pois sabemos que fazemos parte da melhor equipa de marketing de Angola. Vamos a eles!
Vocês viram, tal como eu, a quantidade de sorrisos que conseguimos arrancar nas cidades do Kuito e do Huambo. A alegria daquelas crianças a cada passagem do nosso Trio Eléctrico, o contentamento de partilharem connosco o nosso “Road Show Blue” e poderem assistir de perto à actuação da Ary. Têm sido tantos os bons momentos que temos proporcionado pelas províncias de Angola que conseguimos transformar o muito trabalho em momentos de alegria e prazer e quando assim é tudo se torna mais fácil.
Muito obrigado pelo Vosso esforço e dedicação.
 
Beijos e abraços,
 

Conde de Angola


publicado por Conde de Angola às 00:59
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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

457 Dias em Luanda

Dia de sol, cheira a Carnaval em Luanda, são feitos os últimos preparativos na marginal para mais um dia de folia. Para quem é natural de Torres Vedras, sabe que o próprio Carnaval é nesta cidade, este ano apimentado pela polémica das imagens de mulheres nuas coladas no monitor de um Magalhães em tamanho gigante… ainda dizem que o Ministério Público é lento a tomar decisões. Quem disse isso? Éi, esperem… parece que afinal quem condenou, voltou a descondenar… e assim vai Portugal. Se bem conheço os foliões de Torres este ano vai rebentar… ai que saudades!

 
Dia de recordações. Faço hoje, no tempo que me vai restando durante o dia, um balanço dos últimos 457 dias (tempo que estou em Luanda) do que aqui passei e de tudo o que senti e vivi, tentando dar sempre o meu melhor.
 
Recordo-me da praia, do sol, dos finais de tarde sobre a baía assistidos de “camarote” com a Canon em punho. A beleza pura e intacta da Fenda da Tundavala, da deslumbrante descida da Serra da Leba, onde consegui escapar duas vezes e outras mais o faria, com tempo. As lindas viagens a Porto Amboím, Sumbe, Lobito, Huambo e até mesmo a Ndalatando, passando por estradas e aldeias e picadas incertas e paisagens de incontável beleza. A ilha do Mussulo, o Parque da Quiçama, a praia de Santiago, também conhecida pela praia dos barcos encalhados, no meu caso o nome mais apropriado seria: Praia dos Carros Encalhados. Recordo com saudade os dias passados em São Tomé… tenho a certeza que um dia lá voltarei. A liberdade. A nostalgia incontrolável de cada regresso em cada viagem.
 
Recordo os jantares. Os petiscos na Palhota no final da semana e o leitão ao domingo, onde as conversas são como as cervejas - há sempre lugar para mais uma. Lembro ainda outros jantares, inesperados ou talvez não, no Del Mar, no Pims, na Vila Alice e outros mais, os almoços na ilha, numa cadeira de praia, em paz...  
 
Mas nem tudo são rosas, recordo também os momentos menos bons... A minha ausência constante nos dias mais importantes de uma vida. O aniversário do meu filho, o da minha mãe, dos meus irmãos, das minhas sobrinhas, o meu aniversário, os casamentos dos meus melhores amigos, o Natal, o Carnaval, etc… são tantos que me fazem sentir que falhei. Recordo ainda o momento e o dia em que parti, meio à pressa e sem pressa, com as minhas dúvidas, os meus receios, as minhas incertezas e com uma angústia horrível de deixar para traz o meu tesouro: tu Dany!
 
Recordo os dias de trabalho. A directa feita no Festival da Blue, onde o cansaço era tanto que até vómitos tive. O tempo e a paciência que muitas vezes se esgota e me consome. As alegrias partilhadas com os putos da equipa, as gargalhadas das coisas boas, a Blue Team, etc… Mas recordo acima de tudo os meus amigos. Os que sempre me apoiaram e acarinharam mesmo longe, dando-me a motivação nos momentos mais tristes. Os outros que aqui reencontrei e os que ganhei, com uma força desmedida e que nunca me deixaram sentir só. É verdade, nunca me senti só.
 
Não me digam que existem coincidências, as coisas acontecem-nos por algum motivo e é fascinante como conhecemos pessoas que nos transformam a vida e trazem-nos tantas experiências novas. 
 
 
 
Beijos e abraços,
 
 
Conde de Angola
 

publicado por Conde de Angola às 20:13
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Sábado, 14 de Fevereiro de 2009

O meu pedaço de papel...

O Dia dos Namorados é conhecido em muitos países como o Dia de São Valentim. Valentim era um sacerdote cristão contemporâneo do imperador Cláudio II, que queria constituir um exército romano grande e forte, mas não conseguiu atrair muitos soldados, porque os homens não se dispunham a abandonar as suas mulheres e famílias e partirem para a guerra. Assim, o imperador proibiu os casamentos entre jovens e Valentim, revoltado, resolve realizar casamentos secretos. Quando foi descoberto, foi preso, torturado e decapitado a 14 de Fevereiro.

 
Já na Roma Antiga, a data era celebrada em 15 de Fevereiro (que, no calendário romano, coincidia aproximadamente com o início da Primavera) no festival Os Lupercalia. Na véspera desse dia, eram colocados em recipientes pedaços de papel com o nome das raparigas romanas. Cada rapaz retirava um nome, e essa rapariga seria a sua namorada. O meu pedaço de papel tinha o teu nome: Susana.

 
Podia escrever para ti num pedaço de papel, ou num postal ilustrado que se vendem aos montes nas papelarias, não precisava de partilhar com o Mundo o que sinto por ti, mas também não tenho nada que me impeça de o fazer e tudo isto, porque também sinto o teu amor. Estás dentro de mim, nas mais dissemelhantes formas e o sentimento de alegria cresce a cada dia que passa, apesar de todas as dúvidas e incertezas desta vida, sei que estás comigo. Fecho os olhos e sinto-te cá dentro, sinto-te como parte de mim, tão intensamente que parece um sonho, um sonho do qual não quero acordar! E ficaria assim sempre, para sempre, com este sentimento profundo, de alegria e de felicidade. És tu que estás no meu coração.

 

Beijo Grande Meu Amor,

 

 
Conde de Angola
 


publicado por Conde de Angola às 09:27
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Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

Blue Festival 2009

 

Foi no passado dia 31 de Janeiro que aconteceu a tão esperada 2ª edição do Blue Festival. Desta feita na ilha de Luanda, numa tenda montada especificamente para o efeito, com 1500m2 e com uma decoração de arrasar em tons Blue, só podia claro. Quem lá esteve saiu satisfeito, por tudo o que foi acontecendo durante a noite, numa corrida louca contra o relógio que teimava em avançar na direcção da madrugada.
 
Foi sem dúvida um hino à diversão e alegria numa festa que iniciou com o Dj Big Renas, que conciliou as suas batidas electrónicas com a actuação de performances do grupo espanhol Decoliflor. Houve ainda tempo para apresentar a todos os que se juntaram a nós nesta fantástica festa, o novo spot de TV da Blue. Faz parte da campanha “A Vida é Uma Festa” e vai para o ar já na próxima 2ª feira. Está Brutal!!!
 
Também fizeram parte do cartaz o músico Paul G e os Kalibrados, os quais tiveram a responsabilidade de animar todos os presentes até à subida ao palco do DJ Yves Larock. Pelo caminho ficaram excelentes interpretações quer do Paul G e dos seus bailarinos, quer do Grupo Kalibrados que interpretaram temas no novo álbum “Cartas na Mesa”. Para eles o meu muito obrigado e boa sorte na venda dos seus trabalhos.

Com um público dividido por nacionais e estrangeiros, a animação tornou-se ainda maior com a chegada dos convidados Dj Yves Larock e o artista Jaba, os mais aguardados da noite.

Neste período, nem mesmo o corte de energia, que se verificou durante alguns minutos, por motivos de estupidez natural dos homens da limpeza, que resolveram tapar a respiração do gerador, foi suficiente para demover o público presente nesta 2ª edição do Blue Festival e retirar agitação à festa.

A festa continuou pela noite dentro intercalando a animação em palco com exibições de acrobacia, outro atractivo que, a par do ambiente conseguido pela montagem técnica do cenário no local, ajudou a fazer deste festival um momento diferente… e quando tudo parecia estar no fim não é que lá vem o DJ Capiro e resolve mostrar ao Yves Larock que por cá também se passa música com muito nível… Entre as batidas electrónicas e o kuduro, o público foi-se divertindo até ao amanhecer.
 
O pior estava para vir: a desmontagem! Pois é, a nossa Team não brinca, enquanto muitos se divertiam no interior da tenda, alguns dos meus rapazes descansavam no interior dos carros pois sabiam que depois da festa estava na hora de entrar em cena… são realmente fantásticos… Grande parte do sucesso deste evento é deles. Obrigado rapazes, tenho muito orgulho em trabalhar convosco.
 
Já era meio-dia quando terminamos, o movimento para a ilha já se fazia novamente, muitos eram os carros que se dirigiam no sentido das praias, a nossa praia era outra… para trás ficaram as cores azul e branca, mas saímos orgulhosos por tudo o que conseguimos fazer. A Blue Team trabalha a “brincar” mas não brinca com o trabalho! Putos, mais uma vez o meu obrigado pela Vossa dedicação.
 
 
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola
 

publicado por Conde de Angola às 22:06
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Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008

Sim, é Natal!

Num dos últimos posts disse que o mês de Outubro prometia. É verdade, foi um mês em grande com a acção Canta Com Blue Nas Escolas… tenho a certeza que para muitas crianças foi uma espécie de Natal antecipado. A forma como reagiram ao espectáculo que fizemos nas 11 escolas leva-me a acreditar que sim. Deixa-me feliz saber que conseguimos fazer algumas crianças felizes, mesmo que tenha sido só por algumas horas. Foram tão felizes e por tão pouco. Com os pés no chão e a roupa rasgada, iam rindo com tudo, porque na verdade não têm nada. E nós preocupados com tanta coisa que não faz sentido… É o mail que não chega, o telefone que não atendem, o trânsito na rua… e eles ainda lá estão, com a mesma roupa rasgada e os olhos a luzir de esperança porque não sabem o que lá vem.

 
Tantas coisas aconteceram até chegarmos a esta final. Felizmente tudo correu como esperávamos. Conseguimos no dia 30 de Novembro, data em que realizámos a final no Cine Atlântico, enchê-lo por completo com uma linda plateia azul. A final não poderia ter corrido melhor e já deixa alguma angústia e saudade. Comparo o stress de saber que chegámos ao fim, com a entrega do exame ao professor, onde sabemos que estamos a fazer o mais acertado mas mesmo assim temos dúvidas, achamos que falta sempre alguma coisa, nem que seja uma vírgula ou um ponto final. Parabéns Marieth, és a Estrela Blue 2008!

 
Tenho andado ansioso, stressado, nervoso… não consigo dizer bem porquê, aliás até consigo. É Natal! Lembro-me agora com alguma tristeza. Vai ser a primeira vez que o vou passar longe da minha família. Por Luanda já se vão vendo alguns sinais do Natal. Não deixa de ser estranho, para quem está habituado a ver o natal com neve, assistir a um outro Natal, mais quente, com sol, praia e muitos mergulhos… não é que seja mau, é diferente. É Natal! Umas luzes aqui e ali, piscando ou apenas iluminando a época. Sim, é Natal. Quase que nem o sinto. Sinto sim, que os dias têm passado a correr, que o trabalho me exige e consome os dias… e lá estão as crianças, com a mesma roupa rasgada e os olhos a luzir de esperança porque não sabem o que lá vem.

 
Penso no que tenho, no que lutei por ter, no que ainda me falta, penso na vida, nas adversidades, nas coisas boas, nas más, nos dias que gostei de viver, nos dias que me ri, nos que chorei…penso que irei em breve viver o Natal de uma forma diferente é certo, fico imóvel por momentos e quando penso em ti Milene, tudo o resto deixa de fazer sentido. Espero do fundo do coração que esta época te traga a força que precisas para superares essa adversidade na tua vida. Tenho a certeza que vais conseguir, com a ajuda dos teus amigos, que mesmo estando longe não te esquecem e principalmente com o apoio do Ricardo e de toda a tua família. Aqui fica um beijo cheio de força e esperança!

 

Um Bom Natal para todos e um especial para ti Dany!

 

Beijos e abraços,

 

Conde de Angola
 


publicado por Conde de Angola às 11:03
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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

E lá vão 13... Parabéns Dany!

Ao fim de dois meses estou de volta ao blog…

Com toda a alegria, com toda a vontade de viver, com toda a vontade de lutar pela vida… por ti Dany. É por ti, por ti, que estou aqui!
 
Há dias que jamais esquecerei e o 11 de Dezembro é um dia que não esqueço. Mais um ano passou... Parece que foi ontem! Mais um ano passou e a imensidão da saudade é cada vez maior... Estás tão longe de mim, que posso eu fazer para te aproximar? Que posso eu fazer para te chamar de AMOR nos teus olhos? Que posso eu fazer para sentir o teu toque? Como posso eu explicar por palavras o que sinto quando te vejo sorrir?
 
Às vezes olho à minha volta e pergunto a mim mesmo se tudo aconteceu. Belisco-me, vejo as 1001 fotos que tenho tuas, limpo os olhos e vejo que sim. Foi e é real. Nem imaginas a força que me dá recordar a história que existe por detrás de cada fotografia… isso dá-me força para seguir o meu rumo!
 
Sei que vês o mundo cor-de-rosa, és feliz, brincalhão, sincero, meigo, espalhas sorrisos, bondade e alegria… são todas essas coisas que te fazem tão especial. Hoje neste teu mundo cor-de-rosa quero apenas dizer: Parabéns meu amor pelos teus 13 anos tão lindos.
 
A distância traz saudade, mas nunca o esquecimento. Amo-te muito.
 
 
Beijos e Abraços,
Pai

publicado por Conde de Angola às 22:06
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Sábado, 4 de Outubro de 2008

I'm Back

De todas as vezes que regressei a Angola, esta foi talvez a que menos me custou. Desta vez foi diferente. Regresso à minha vida, à vida que agora me espera, depois de tanto passado o presente é tudo aquilo que tenho e tudo o que escolhi. O futuro… esse é sempre incerto, mas acato-o porque tenho a certeza que tudo nos corre pelo melhor. Gosto de pensar assim.

 
Voltei numa altura em que se comemorava a vitória aparentemente exagerada do MPLA. Espero sinceramente, que a mesma conduza Angola ao clube dos países cujas leis têm em conta os direitos fundamentais de todos os indivíduos e que todos consigam rever-se nas instituições do Estado que os representa.
 
Sabiam que:
. Angola é 14 vezes maior que Portugal;
. O ponto mais alto é o Monte Moco no Huambo com 2620m de altitude;
. Os principais rios são o Kwanza, o Cunene e o Cubango;
. O clima assenta somente em duas estações: Cacimbo (seco e frio – de Junho a Setembro) e Verão (quente e húmido – de Setembro a Maio);
. Angola está dividida em 18 províncias, onde Luanda é a mais pequena e é a que tem maior densidade populacional;
. 66% da população está inserida nas classes sociais mais baixas;
. Estima-se que em 2010 Angola possa ter 18,5 milhões de habitantes;
. Em média cada mulher tem 7 filhos.
 
É com esta realidade que vivo todos os dias, é neste país que desenvolvo a minha actividade profissional e que gozo isso dá. Iniciámos na semana passada a 2ª edição do projecto, “Canta com Blue nas Escolas”, acção desenvolvida em parceria com o Ministério da Educação, que tem como objectivo criar momentos de diversão através de acções extra-curriculares e descobrir novos talentos na área da música. O vencedor de cada escola é apurado automaticamente para a grande final, onde será encontrada a Estrela Blue 2008.
 
Os dois primeiros finalistas já estão encontrados. As duas meninas, ambas de 12 anos que interpretaram temas de Patrícia Faria e Vanessa Camargo das escolas de Viana e Cacuaco respectivamente brilharam com as suas vozes melodiosas e garantiram o acesso à grande final, mas os dançarinos de Kuduro não ficaram atrás e arrasaram ao fazer vibrar os muitos alunos que assistiram a estas duas primeiras eliminatórias. Outro dos momentos altos, foi a entrada na escola dos cantores Leokeny, Cage One e JD, que se juntaram à festa Blue e vieram abrilhantar o espectáculo com a interpretação de alguns temas, deixando os alunos em estado de euforia.
 
Grande parte destas crianças vivem nos musseques, onde as crianças que ainda não vão à escola costumam andar a correr de um lado para o outro só de cuecas. As tais cuecas garridas que contrastam com o castanho baço da paisagem. As que vão a escola andam de bata branca. Algumas transportam um banco, porque infelizmente ainda são bastantes as salas de aulas que só têm chão e quadro. As crianças angolanas cantam, riem e dançam porque não conhecem outro mundo…
 
Terminada a segunda eliminatória que se realizou na escola do Cacuaco, passei por casa, troquei de roupa e fiz-me à estrada com destino ao Sumbe. Estávamos a patrocinar o “Festisumbe”, o maior evento de música realizado em Angola. Quis lá ir para dar uma força à equipa. Pelo caminho ficaram umas vinte brigadas da polícia e mesmo parando em algumas consegui livrar-me das já famosas gasosas (suborno à polícia). Estou a ficar vivo, não me levam assim sem mais nem menos.
 
Já no Sumbe, fiquei deslumbrado com a adesão do público a esta festa e fascinado com a brilhante presença da Blue no patrocínio a este evento. Só para terem uma ideia, no sábado eram sete da manhã e o nosso Trio Eléctrico ainda servia de palco aos mais resistentes. Foi duro, mas no final soube bem arrumar tudo e vir de consciência tranquila pelo trabalho realizado. Mais uma vez a Team mostrou que é operativa. Obrigado rapazes, vocês são os maioooooooooooooooooores!
 
Entretanto o mês de Outubro promete… esperem para ver!
 
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 00:29
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Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Férias...

Sexta-feira dia vinte e dois de Agosto. Tudo estava a correr bem, o check in tinha corrido sem problemas, o avião estava na pista, nós na sala de embarque com aquele ar de felicidade de quem vai regressar a Portugal. Os planos para as duas semanas de férias vão-se fazendo enquanto se vai esperando a hora de embarcar. As horas passam… o avião devia descolar às vinte e duas horas e já eram vinte e três. Para ajudar à festa, ninguém nos diz nada sobre o que vai acontecer e nós claro vamos aguentando, remédio temos. Já passava da meia-noite, quando finalmente soa um aviso nos altifalantes do aeroporto 4 de Fevereiro.

_ Informamos que o voo DT650 com destino a Portugal foi cancelado para amanhã às dezasseis horas.
Depois disto não consegui ouvir mais nada. Caiu-me tudo. Devia estar em Portugal no sábado bem cedo, para logo que chegasse a Lisboa ir à Loja do Cidadão tratar do passaporte do meu filho, pois na terça-feira seguinte tinha de seguir com ele para Cuba. Felizmente consegui tratar de tudo na segunda-feira e ao final do dia já o Daniel tinha o passaporte dele. Enfim, como tenho dito muitas vezes: Angola é nossa! Se uma situação destas acontecesse em Portugal era o fim do mundo, as televisões apareciam em peso para recolher os testemunhos dos passageiros frustrados e seria assunto de abertura dos noticiários. Em Angola é tudo normal. O avião não saiu? Paciência! Os passageiros não têm onde ficar a noite? Azar! As crianças estão com fome? Temos pena… enfim palavras para quê.
 
O que vale é que este foi mesmo o pior episódio das férias. Mal assentei pés em solo Lusitano fui presenteado com uma festa fantástica… os amigos tinham preparado uma recepção de boas vindas brindada com os melhores êxitos dos anos 80. Noite fantástica! Obrigado amigos, vocês são realmente fantásticos. Adoro-vos a todos! Escusado será dizer que esta foi uma noite em grande… valeram as horinhas que dormi no avião.
 
Quando sai de Luanda tinha a certeza absoluta do que queria para estas férias: passar o maior tempo possível com o meu filhote. Adoro o teu sorriso filho. Olhar para ti e estar contigo faz esquecer tanta coisa! Nunca pensei que o amor por um filho fosse assim, é tão especial. Tu és especial meu amor!
 
Partimos para Cuba tipo irmãos, com destino a Varadero. O hotel escolhido foi o Paradisus e como o nome indica é um autêntico paraíso à beira mar plantado. Envolto de águas transparentes e quentes é o local ideal para quem adora água. Só para terem uma ideia, as toalhas que íamos buscar diariamente só serviam para nos enxugarmos no final do dia para recolhermos ao quarto… basicamente passámos o tempo todo dentro d’água. Com o Dany é difícil que seja de outra forma, acho que para ser peixe só lhe faltam mesmo as barbatanas, as escamas e as guelras.
 
Foi uma semana em cheio e nem mesmo o furacão Gustav nos fez perder a boa disposição… só nos “estragou” um dia e mesmo assim conseguimos estar a tomar banho na piscina e a chover torrencialmente. Experimentem, a sensação é única. Fantástico!
 
Num dos dias fomos fazer o passeio a Cayo Blanco. A viagem é feita de Catamarã. A manhã proporciona uma vista maravilhosa dos barcos no alto mar, muito sol e bebidas frescas. Pelo meio-dia é-nos proporcionado um mergulho aos corais e peixes de cores coloridas. O almoço é servido na ilha, cuja visão de aproximação é algo que não se esquece. As águas pouco profundas, cálidas e de cor verde, são de uma harmonia e sintonia perfeita. A viagem de regresso é acompanhada pelos ritmos da música cubana e uma tripulação bem-disposta.
 
É claro que ir a Cuba e não visitar Havana é imperdoável e digo-vos já, que um dia só é muito pouco para uma cidade tão bela, cheia de história e de gente afável. Havana é uma cidade intensa, vivem lá mais de 2,5 milhões de cubanos. Bastará um leve fechar de olhos para imaginar os Chevys e os Cadillacs reluzentes parados à porta do Gran Teatro de La Habana, trazendo mulheres luxuosamente vestidas, e o que seria a Havana americana, quando o Casino do Hotel Nacional servia de sede ao irmão de Lucky Marciano, um mafioso conhecido mundialmente. E ainda o Hotel Sevilha, de onde os Batistti, controlavam o negócio da heroína e do jogo em Cuba. Todo este estilo mundano foi exterminado por Fidel, o mesmo político que criou a “Habana revolucionaria” onde comer um gelado na Copélia (gelataria mais fina da cidade) significa degustar os melhores gelados do mundo. Em Havana são inúmeros os lugares marcados pela história: La Floridita onde Ernest Hemingway costumava conversar com os amigos e onde ele mesmo inventou os “daiquiris”, bebida obrigatória para quem visita o país. As fábricas de charutos, o imponente Capitólio, replica do de Washington é majestoso e transmite um ar de celebridade à zona “Vieja” de Havana.
 
Facilmente se percebe que Cuba parou no tempo, os carros nunca morrem, mesmo quando faltam peças alguém as “inventa”. Não existe publicidade apenas propaganda política “Che, tu ejemplo VIVE tu ideas perduran” ou “Hasta la victoria siempre”.            
 
Neste país há mais de 11 milhões de pessoas que sofrem, de sorriso aberto para o futuro sem esconderem a sua simpatia para com o “comandante Fidel”, ou até a sua ira contra o mesmo governante que lhe dá um ordenado equivalente a 25 dólares, saúde e educação grátis.
 
Depois chegamos a Portugal e vemos um país que atravessa uma crise económica, com o poder de compra dos portugueses a diminuir diariamente. O mais grave de tudo é ver os portugueses mergulhados neste pessimismo de desgraça e de crise cheio de pessoas deprimidas. Só quem não vê os telejornais é que certamente poderá fugir a este clima de depressão. As notícias de abertura são de mortes e acidentes ocorridos em todo o mundo. Ora são inundações nos EUA, os atentados no Médio Oriente, os assaltos que são feitos diariamente aos bancos e às gasolineiras, a queda de um avião num sítio que ninguém conhece, os aumentos de combustíveis, as taxas de juros, etc... Como podemos ser um povo alegre em Portugal com tanta desgraça a entrar-nos pelos olhos dentro? Claro que podemos, o que não deve acontecer é deixar que a nossa auto-estima seja afectada por conjunturas menos favoráveis e devemos focalizar no que é realmente importante. Não faz sentido ver no telejornal as crianças dizerem que se não levarem para a escola o caderno com o boneco X ou Y já não estão na moda e são gozados pelos colegas. Mas que educação estamos a dar aos nossos filhos? E depois faço a comparação com Angola, onde as crianças querem escrever e nem uma folha têm, onde tenho rapazes que trabalham comigo, que têm 23 anos e 4 filhos e levam mensalmente 300 dólares para viverem numa das cidades mais caras do mundo e andam todos os dias de cara alegre e bem dispostos… É aqui que Angola tem sido uma grande lição de vida. Quem aqui vive diariamente em contacto com o povo aprende a valorizar o que é realmente importante. Eu estou a aprender!
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 23:37
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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

31 de Julho, o dia do Conde!

Foi há 36 anos precisamente no dia 31 de Julho que deste à luz a coisa mais bela do mundo, eu claro! Obrigado mãe. Dedicaste a tua vida, aliás toda a tua existência ao nosso bem-estar. Quantas vezes, renegaste por completo as tuas necessidades, o teu querer... O quanto choraste sem nunca te queixares e sempre sem que ninguém percebesse. Trabalhaste a vida inteira para que nada nos faltasse; Foste Mãe e Pai. Como eu gostava que tudo tivesse sido de outra forma... Foste, És e Serás sempre a minha heroína Mãe! Sempre! A aprendizagem de lidar com a saudade continua difícil, principalmente em datas como esta, mas estás num lugar bem especial no meu coração. Foste, És e Serás sempre parte da minha Vida e não há nada nem ninguém que mude isso. Um beijo enorme, Adoro-te! Podes ficar descansada que por cá tratam-me muito bem… vê só o que aí vem…

 
Quando tudo parecia indicar que este seria mais um dia, para mim um dia complicado, pois estaria pela primeira vez longe do meu filho no dia do meu aniversário eis que tudo muda e se torna especial. É bom saber que tenho amigos como vocês. Obrigado! Amei a surpresa que me prepararam. Sai de casa, apanhei a Sónia e fomos para casa do Joka onde supostamente seria o meu jantar de aniversário. Entretanto o Joka… “ah e tal a minha mulher chegou tarde, não teve tempo de fazer o jantar, se não te importares vamos jantar ao Miami”. E eu na minha pura inocência… “por mim na boa”. Pelo caminho foi risada completa com o Joka, a Ana Faria e a Sónia… se já estava contente por estar com eles, mais contente fiquei quando cheguei ao Miami e sem contar encontrei: O Carlos Rodrigues, a Armanda, a Fátima, a Susana, o Ludgero, a Amanda, o Nuno e o Marco, nem queria acreditar, foi fantástico! Jamais esquecerei este dia. Um obrigado especial a todos que contribuíram para que esta noite fosse memorável e que mais uma vez me fizeram sentir uma das pessoas mais sortudas do planeta... porquê?.. por ter amigos como vocês. Adorei!!!
 
Passei o meu dia em constantes recordações, ouvindo as músicas que mais me marcaram revisitando a matéria dada numa vida de mudanças constantes. Talvez por hoje ser criança, choro de emoção e ao mesmo tempo sorrio quando penso na vida e no que ainda tenho por viver. Hoje, mais do que ser livre, quero uma única coisa: Ser feliz!
 
Entretanto, neste mesmo dia de manhã fui sujeito a mais uma prova de fogo em Angola. Não vão acreditar no que vos vou contar. Fui a exame de código. Que cena surrealista. Enquanto que em Portugal os exames já são feitos em computador, por cá temos na parede fixados os sinais de trânsito, em tamanho XL. Os alunos ficam todos sentadinhos de frente para a parede. O instrutor, julgava-se o homem mais inteligente do mundo. De fato e gravata, com os sapatos impecavelmente engraxados, segurando no cabo de uma vassoura que servia para apontar os sinais que gostaria de ver respondidos. Ao apontar um determinado sinal chamava um dos alunos e perguntava o respectivo significado. Nunca tinha vivido nada assim. Foi lindo! Fiquei a saber que até percebo um pokito daquilo. Mesmo sem estudar o Conde passou com distinção e até acertou em sinais que nunca tinha visto na vida. À medida que o instrutor ia ficando satisfeito com as respostas ia mandando sair os alunos que passavam e dizia: “amanhã às oito ao pé do Mausoléu para fazerem exame de condução”. Mais uma aventura. Desta vez deveríamos ser cerca de 150 pessoas todas à espera de fazer o belo do exame de condução. Na altura da chamada, vamos ouvindo a criatividade angolana ao mais alto nível bem escarrapachada no nome dos alunos. O que mais me chamou a atenção foi o António Faz Tudo. Um belo nome sem dúvida para uma entrevista de recrutamento e selecção. Imaginem este tipo numa entrevista quando lhe perguntarem o nome e ele responder: António Faz Tudo. É contratado na hora, só pode. Entretanto fiquei a saber que o belo do instrutor do dia anterior chumbou metade da turma. Na condução, dos quinze estrangeiros só lá estávamos oito. Depois de conduzir durante cerca de 250 metros e ter feito o ponto de embraiagem passei. Ufa que alívio. Para quando a troca directa das cartas? É um absurdo isto, já para não falar nas duas manhãs totalmente perdidas com esta brincadeira. Enfim, Angola é nossa!
 
Como disse no post anterior, já falta pouco para as férias. Pelo caminho ficaram mais algumas tarefas concluídas com êxito. A convenção de marketing e vendas e o evento de abertura da nossa filial no Lubango. Fui na segunda e voltei na quinta-feira, feliz por tudo o que a Team está a fazer naquela bela cidade. Quem lá vai agora encontra uma cidade muito mais N’Ice, muito mais Blue, muito mais Nutry e ainda mais Pura. Lubango faz parte da província da Huila, uma das mais belas que visitei e conhecida pelos seus moradores como a Europa da África. O frio que faz à noite dá um ar aconchegante e se olharmos o céu ficamos maravilhados… parece que estendendo a mão conseguimos tocar as estrelas. Fantástico! Lubango é famoso não só pelos seus morangos, como também pela serra da Leba. Faltam-me palavras para descrever tamanha beleza, é sem dúvida um dos lugares mais belos que tive oportunidade de conhecer.
 
Em Angola, como em qualquer parte as coisas mais belas são aquelas que o homem não consegue destruir por mais robusto que seja: é a água que cai, é a pedra que fica, são as paisagens de cortar a respiração, as praias lindíssimas, a selva densa, os animais selvagens, enfim… um mistério, magia que encanta. Há quem diga que esta terra tem feitiço, na minha opinião enfeitiça e seduz quem gosta de cá estar. Tenho por isso a certeza que Angola ficará para sempre dentro de mim, imortalizada nos momentos e nas amizades vividas.
 
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 21:43
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Domingo, 27 de Julho de 2008

Escrevo porque preciso de dizer sem falar

 

Nem sei bem há quanto tempo estou sem escrever aqui, era bastante simples saber, bastava olhar a data do último post e fazer uma simples conta de subtrair. Mas será isso importante? Claro que não! Importante é poder escrever quando quero, o quero, sem que para tal exista um determinado roteiro ou guião que me obrigue a fazê-lo.
 
Escrevo porque preciso de o fazer. Sinto que há tanta coisa para dizer, tanta sensação vivida, tantos pensamentos por partilhar. Escrevo porque preciso de dizer sem falar! Escrevo para estar neste mundo, para me ausentar dele, por amar, por odiar, pela felicidade, pela tristeza, pela companhia, pela solidão, para ocupar tempo, por não ter tempo, só para mim, só para os outros, para desabafar, para me calar, por tudo, por nada, por ser diferente, por ser igual, por ter problemas, por não os ter… é por isto que escrevo e por muito mais que fica comigo.
 
Desde a última vez muitas coisas se passaram…
 
Já conduzo facilmente, confesso que volta e meia ainda me perco nas ruas de Luanda, mas é bem mais simples e prático conduzir por cá: traços contínuos, semáforos, rotundas, cruzamentos, entroncamentos, prioridade à direita, o que é isso? Alguém sabe? Por aqui não! Vêem como é mais simples, tudo vale, só temos mesmo de ter a certeza que os retrovisores funcionam. Por falar nisso, um destes dias de manhã entro no carro, com destino à Rua Rainha Ginga e quando olho pelo retrovisor, não queria acreditar, arrancaram-no, como se não bastasse, olho para o do lado direito e qual quê, também já lá não estava. Angola é Nossa!
 
Estamos a patrocinar a novela Morangos com Açúcar de Angola, no dia em que fui assistir às filmagens que estavam a ser feitas na marginal, fui convidado para fazer de figurante. Pensei várias vezes: ainda bem que não estamos gravar uma cena de simulação de assalto ao banco, caso contrário ainda abrem fogo sobre os actores e os figurantes… Não sei se já vos disse mas recentemente dois jovens actores, confundidos pela polícia como marginais a sério foram abatidos, no bairro do Sambizanga em Luanda, quando empunhavam armas de fogo numa cena ficcionada para um filme sobre delinquência juvenil. Parece que a polícia confundiu a cena de ficção com a realidade.
 
Nos dois dias que estive no Lubango para tratar do evento de inauguração do novo armazém da Refriango naquela cidade, ainda tive tempo para ganhar uns trocos no casino, neste momento o saldo é de 1800 dólares positivos. Qualquer dia proíbem-me de entrar na cidade. Antes de regressar a Luanda ainda passei pela quinta para comprar os famosos morangos para o jantar. Eram sete horas da manhã e lá estavam as senhoras com as caixinhas de plásticos a colhê-los da terra directamente para o Conde…lololol
 
Voltei a jogar futebol… devo ter estado cerca de dois anos sem tocar na xixa. Ainda me lembro das dores horríveis que tive depois da cirurgia a que fui sujeito depois de ter rasgado o tendão de aquiles. Abençoada Dra. Margarida, tratou-me muito bem o pé. Desde então nunca mais tinha jogado, agora voltei a fazê-lo com os colegas da empresa à quarta-feira e nem me lembro que fui operado, mas pelo sim pelo não, tenho o cuidado de fazer um bom aquecimento antes não vá o diabo tecê-las.
 
Fui à Muxima para preparar a peregrinação que decorrerá nos dias 15, 16 e 17 de Agosto. A capela da Nossa Senhora da Muxima é dos lugares de Angola em que fica bem evidenciado o lado espiritual dos africanos. Conta a lenda popular que ela surgiu repentinamente, por obra de um milagre da Santa Maria, que terá tido duas aparições no local na primeira metade do século XVII. Desde então o local tem sido um dos pontos preferenciais de muitos crentes, a maioria dos quais católicos. Muxima (coração em Kimbundu) é uma zona de forte tradição de magia e bruxaria, pelo que o "surgimento milagroso da capela" terá sido uma demonstração de poder de Maria sobre as outras poderosas da área.
 
Há quem diga que a capela e o forte foram edificados pelos holandeses, contudo esta versão é dúbia, pois os holandeses não têm tradição católica. A outra versão diz que foram os portugueses pelo facto da capela apresentar um estilo típico português. É igualmente curioso o facto de se ter resolvido edificar um templo num local de tão difícil acesso, e a vários quilómetros da costa, numa altura em que a ocupação da colónia se restringia à orla marítima. No meio de toda essa miscelânea de lendas, milagres, mistérios e contradições, desde 1645 que Muxima tem chamado a si corações de milhares de pessoas que junto dela falam das suas preocupações, angústias e desejos. Muita gente vai à "Mamã Muxima" na esperança de que esta resolva os seus problemas de saúde que a ciência não tenha conseguido neutralizar, outros vão pedir que ela lhes traga dinheiro e os livre da pobreza em que vivem.
 
O Forte da Muxima e a capela, são hoje considerados Património Mundial da UNESCO, a pedido do Governo Angolano. Excepcionalmente, as comemorações este ano serão antecipadas por motivo das eleições, sendo a data oficial para a comemoração no primeiro fim-de-semana de Setembro.
 
Depois de falarmos com as pessoas responsáveis pelo local e depois de estar tudo acertado relativamente à presença da Blue no evento que junta milhares de peregrinos, levaram-nos para um pequeno armazém onde estava preparado o Mata-bicho (Mata-bicho = Pequeno Almoço) com cacussos fritos. Os cacussos são peixes de água doce que para além de serem um delicioso pitéu, são também uma preciosa ajuda para combater a malária. Nos lagos e rios onde vivem, comem as larvas do mosquito portador da doença. Digo-vos, naquele dia soube a pato… abençoados cacussos serviram de pequeno-almoço e almoço.
 
Finalmente sei quando vou de férias e também quando não vou. A parte do não ir pouco importa, importa mais saber que daqui a quatro semanas vou pegar no meu filho e vou com ele. Onde, ainda não sei… sei sim que vai ser bom voltar a partilhar a minha vida com a coisa que mais amo.
 
Até lá, ainda muita coisa há por fazer, o trabalho é muito, a equipa vai-se revezando entre Luanda e as províncias, uns em Benguela, outros no Huambo, o Miguel a caminho do Lubango, enfim a correria é grande, mas a vontade de fazer é maior. Obrigado Team!
 
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 21:43
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Alambamento

Para alguns o Alambamento não é novidade. Aquando da minha primeira vinda a Angola, tive a oportunidade de escrever sobre o tema, não em formato “post de blog” mas em mail enviado aos meus amigos. Já na altura o tema interessou pela sua originalidade, pela tradição e essencialmente pelos rituais que envolve. Nos últimos sete meses tive oportunidade de o aprofundar e chegou agora o momento de o partilhar, não vá algum de vocês querer casar com alguma angolana e convém não fazer má figura perante a família da noiva. Depois digam que o Conde não avisou.
 
Para melhor retratar a cerimónia do Alambamento, contei com a preciosa colaboração do Octávio Paulo José, que me facultou as fotos que ilustram este post, e também com a ajuda do Pedro Mbala, um dos nossos motoristas, que me conseguiu arranjar todos os impressos que envolvem a cerimónia. O Octávio (à esquerda na foto), pertence à Blue Team, é um dos nossos operativos, tem 31 anos, está noivo da Josefa Chaula Saldanha de 25 anos e ambos vivem neste momento o ritual que envolve toda a cerimónia do Alambamento. Bom é melhor começar a explicar o que é isto do Alambamento.
 
A grande maioria das sociedades tradicionais angolanas, tem como figura principal a mulher. É ela que trabalha a terra para sustento da família e gera os filhos que dão continuidade e poder ao clã. Por este motivo a saída da mulher da casa dos pais para a casa do marido, constitui para aqueles a perda de um precioso elemento de trabalho e, como tal eles merecem ser compensados por tal perda.
 
Na altura em que o noivo pretende pedir a mão na noiva em casamento, a família da noiva, geralmente os tios e tias, juntam-se e elaboram a carta do pedido. O que é então a “Carta do Pedido”? Também conhecida por “Relação do Pedido”: trata-se de uma lista elaborada pelos tios, onde consta uma relação de coisas que o noivo tem de “comprar” para oferecer à família da noiva, como indemnização pelos gastos feitos com ela desde o seu nascimento até ao dia do casamento. O dote representa um bem valioso porque quanto maior o pagamento, maior prestigio terá a noiva. Nesta lista constam coisas tão originais como, o fato para o pai da noiva, panos para as tias, cerveja, gasosa e ainda dinheiro que pode variar entre os 300 e os 500 dólares. Entretanto, este valor pode ser superior, caso o noivo tenha saltado a janela (acho esta expressão o máximo) sabe-se lá se o rapaz não partiu os vidros da mesma... Nada disso, saltar a janela significa que a noiva engravidou antes do casamento e é justo que o pedido seja reforçado.
 
Na altura da entrega da carta do pedido, é marcada uma data para que o noivo possa voltar com o pedido feito, ou seja, com tudo o que consta na carta. De realçar que na altura da entrega do pedido, nem a noiva, nem o noivo assistem à entrega do mesmo, deixando esse trabalho para a família (pais e tios dos noivos). Cabe aos tios da noiva, conferir a entrega com o pedido que foi feito. Só depois de verificarem que está tudo em conformidade, é que o noivo é chamado à cerimónia, para que se inicie a marcação da data do casamento. Nesta altura o noivo é trazido às cavalitas por uma das tias da noiva, e à medida que vai passando pelos panos das tias, que estão estendidos no chão tem de ir deixando dinheiro em cada um deles.
 
Agora já só falta a noiva. Onde estará? As tias geralmente dizem que está longe e que precisam de dinheiro para o táxi (candongueiro) para que a possam ir buscar. Tretas. Está mesmo no quarto ao lado. Esta é mais uma artimanha para explorar o coitado do rapaz. Por isso vos digo meus amigos, pensem bem antes de se meterem com uma angolana…
Depois do noivo largar mais umas kuanzas para o táxi, lá chega a noiva à sala, dando-se então lugar à marcação da data do casamento. Escusado será dizer que esta cerimónia acaba com grande festa no quintal, regada com o vinho e as cervejas que o noivo acabou de oferecer.
 
Mas o ritual, não fica por aqui. Já depois do casamento, e em caso de divórcio forçado e com as culpas para a noiva, ela terá de devolver as ofertas constantes na carta, completas ou parciais caso existam filhos. Se as culpas pertencerem integralmente ao rapaz ou à sua família, a exigência da restituição do dote torna-se impossível.
 
Só para perceberem a importância que este ritual tem na sociedade angolana, uma das marcas mais famosas de vinho em Angola está a usar o ritual do Alambamento num filme publicitário. Vai ser um sucesso de vendas, só pode.
 
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola

 

P.S. Octávio e Josefa, aqui ficam os meus votos de felicidades para vocês.


publicado por Conde de Angola às 00:36
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Domingo, 29 de Junho de 2008

Finalmente África!

Chegou ao fim o Road Show da Blue 2008, que percorreu, durante sete semanas as principais de Angola. Ainda agora terminou e já deixou saudades… para melhor retratar o que aconteceu no espectáculo de encerramento que decorreu em Luanda no Cine Karl Marx, aqui fica uma parte do texto publicado pelo Jornal de Angola.

…”O músico Anselmo Ralph encerrou em grande estilo no Cine Karl Marx, em Luanda, a final da tournée Road Show Blue 2008. O grande protagonista da tournée, que passou por sete cidades do país, abriu a sua participação interpretando os temas “Não vai embora”, “Não vai dar”, “Não liga não” e “O meu melhor amigo” que contagiaram a audiência presente do recinto do espaço cultural Karl Max. A apresentação destes temas, foi intercalada com a actuação do grupo de dança “Os Anjos”.  

 

Os espectadores vibraram fervorosamente ao ritmo do som “Estou a ficar maluco” que foi acompanhado de carismáticas bailarinas, concretizando um perfeito show de dança, seguido de um festival de pirotecnia, encerrando assim a primeira parte da sua apresentação no espectáculo”….

 

Podem ver o artigo completo no link: 
http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=86393 
 
  
Entretanto por cá, vou oscilando entre momentos de alegria, de stress e de correria, coisas normais de quem já se vai habituando ao ritmo de Angola, ou melhor, de Luanda. Para serenar o ritmo infernal a que estou sujeito, aceitei um simpático convite para visitar o Parque Nacional da Quiçama. Este parque tem cerca de 10.000m2 e é composto por uma vegetação propícia para abrigar grande parte de espécies selvagens. Há quem diga que o parque decepciona os turistas, eu não senti isso, mesmo porque adrenalina não faltou e logo à chegada. Bom mas já lá vamos.
 
 
Saída de Luanda depois de uma manhã de sábado passada no escritório. A primeira paragem foi no Miradouro da Lua, já o Carlos teve mais sorte que eu, parou três vezes na polícia. Vantagens de ser branco caucasiano. Já com o estômago aconchegado seguimos em direcção ao parque. Depois de termos passado o portão de acesso, iniciámos uma pura picada angolana de aproximadamente 40 km. Pelo caminho iam ficando os mágicos embondeiros (árvores que apesar de esquisitas, são lindas). No final da picada lá estavam à nossa espera as cubatas do aldeamento, mal sabia eu o que me esperava. Entro no quarto, prontinho para tomar um duche, quando vejo a serpentear por baixo do tapete uma cobra. Não era grande mas deu para apanhar um valente susto. Antes de lhe dar um banho de água a ferver e vê-la voltar-se contra o chuveiro, tive tempo para registar o momento e bater meia dúzia de chapas. Como a água a ferver não estava a resultar e como não me apetecia dormir com aquela companhia, olhei à volta na esperança de encontrar uma arma de arremesso. Ena, um a piaçá! Arsenal bélico de alto quilate. Vou-te arrancar uma perna, pensei. Afinal foi mesmo na cabeça e à segunda pancada lá ficou estendida. Entretanto matei mais duas osgas albinas e ficaram os três animais mortos ali mesmo à porta da cubata. Razão tinha a Mafalda para dizer que aquilo mais parecia um cemitério de animais.

 

 
Engraçada foi a explicação do segurança do parque quando viu a cobra morta.

 

 
_Matou-a senhor? Perguntou ele.
_Sim matei, estava dentro de casa, respondi.
_Fez bem. Elas entram pelo respirador que tem no tecto da casa. Metemos Shertox (devia querer dizer Sheltox) elas ficam meio adormecidas e depois caem cá em baixo. Disse o homem.

 

Pensei cá para mim: Vai ser uma noite bonita vai. O buraco da Cubata estava mesmo por cima da cama. Enfim, o que vale é que poucas horas iria dormir, porque às 6 da manhã lá fomos nós de Unimog à procura dos animais. A excitação era grande.

 

 

 

A floresta da Quiçama não é propriamente o tipo de savana que estamos habituados a ver nos programas do National Geographic. Trata-se de uma floresta densamente arborizada, mas com arbustos, cactos e animais, na sua maioria vindos da África do sul.

 

 

Vimos macacos, zebras, muita passarada, gnus, veados, avestruzes, águias, tocanos, macacos entre outros animais que vêm nos livros mas não me recordo dos nomes. Percorremos o parque durante duas horas e para frustração de todos não conseguimos ver nem os elefantes, nem as girafas. Mas valeu a pena. Entretanto, depois de tomarmos o pequeno-almoço com uma vista absolutamente fantástica, fomos fazer o passei de barco no rio Kwanza. Imaginária a paisagem e lindos os crocodilos estirados na berma do rio. No regresso a Luanda ainda houve tempo para contemplar o pôr-do-sol. Do mais lindo que já vi. Às vezes numa pequena coisa pode-se encontrar todas as coisas grandes da vida. Não é preciso explicar muito, basta olhar… 

 

Acabei o dia, nostálgico, mas feliz, repleto de pó no rosto e o pensamento invadido pela vida. A minha vida. Isto tem de ser vivido. A experiência vivida, o encanto da natureza e as amizades que aqui se fazem ganham outro sentido. Adorei! Thank’s.
 

 

Entretanto, em Luanda um dos temas de destaque é as eleições legislativas no início de Setembro. Embora a opinião seja praticamente unânime (o praticamente fez-me lembrar a saída que um homem teve em Malanje quando andávamos à procura de terrenos. Depois de se identificar o terreno ele tem o seguinte rasgo de espontaneidade: “Praticamente o vosso terreno não tem minas, mas se tiver nós vamos lá e tiramos”. É reconfortante ouvir isto) onde a grande maioria diz que não vai acontecer nada e que a paz está para durar, o certo é que:
 
  • Uma petrolífera americana está a incentivar os familiares dos seus funcionários a voltarem para casa em Setembro;
  • Uma outra petrolífera incentiva os funcionários considerados não essenciais a tirar férias no mesmo mês;
  • Duas grandes empreiteiras brasileiras já fretaram aviões para fins de Agosto. Querem tirar o máximo de funcionários e seus familiares do país;
  • Uma empresa de consultoria brasileira que trabalha directamente para o governo deu férias colectivas de duas semanas no início de Setembro.

 

Pelo sim, pelo não acho que as minhas férias este ano vão ser mesmo entre final de Agosto e início de Setembro.
 
Os dias passam, também as noites e as madrugadas, o sol nasce, põe-se e eu continuo aqui à espera do silêncio que não vem. Sinto que não é fácil compreender-me, há quem não consiga. Volto atrás no tempo e verifico se valeu a pena. E sim valeu, valeu muito! Hoje tudo mudou, a vida, a idade, o sentimento, a paz…essa não me canso de a procurar.
 

 

Beijos e abraços,
      
Conde de Angola

 

 

 
 

 

 

 


publicado por Conde de Angola às 05:53
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Terça-feira, 10 de Junho de 2008

6 meses já lá vão...

Em Luanda devemos estar preparados para tudo. É uma cidade no coração da transformação radical, pela qual Angola passa e onde o ritmo dos acontecimentos desnorteia qualquer um, sobretudo os que não estão a ser beneficiados com as mudanças.

 
Desde 2005, a economia angolana é a que mais cresce em África, a uma média impressionante de 17% ao ano, prevendo-se que no ano 2008 atinja os 23%, números de fazer inveja aos melhores anos da China. Luanda é hoje uma das cidades mais caras do mundo e a sua paisagem está a ser invadida pelo boom imobiliário. Conseguir lugar num hotel em Luanda só com a ajuda do Sr. Cunha. Conhecem? É o tal da gasosa. Enfim, é aqui que estou e é com esta realidade que tenho de viver.
 
Fez no passado dia 26 de Maio seis meses que iniciei a minha aventura neste fantástico país. Sem dúvida uma lição de vida que muito me tem feito crescer e valorizar o que é realmente importante. Lições que venho aprendendo e vivendo a cada dia que passa.

Descobri que consigo viver sozinho longe de casa, claro que sinto falta de companhia, do meu filho (passei pela primeira vez o dia da criança longe dele…e dói bastante), mas até não é mau de todo morar sozinho. Vejam só o lado positivo! Posso arrumar a casa ao meu gosto; se não apetecer fazer a cama fica assim mesmo e não tenho ninguém a reclamar; posso comer em casa ou não; finalmente posso ter o meu saco de boxe; a música está sempre na altura que quero; vejo na TV o que mais gosto; não tenho horários para nada; faço exercício à hora que quero; o frigorífico só tem coisas boas! Mas bom, bom, era ter isto tudo em boa companhia, o que vale é que quando bate a saudade há sempre uma moldura por perto, ou um pc com ligação ao messenger.
 
Estes seis meses serviram também para aprender a viver bem comigo mesmo, valorizar o tempo e as pessoas que amo, saber lidar com os conflitos, conviver com pessoas diferentes. A minha felicidade nunca dependeu tanto de mim como agora. Angola tem sido uma viagem bem maior que a distância que a separa de Lisboa, tem sido uma viagem de auto-descobrimento à pessoa que sou, onde o maior desafio será tomar as decisões certas para os próximos anos.
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Está a chegar ao fim a nossa odisseia pelas províncias de Angola. Tem sido uma experiência fantástica conhecer a outra Angola, aliás conhecer a genuína Angola e levar até ela momentos de puro entretenimento e diversão. Este povo bem o merece. A forma carinhosa com que nos recebem “obriga-nos” a retribuir com o nosso melhor. Desde que aqui estou nunca ninguém me tinha dito: “Seja bem vindo à nossa cidade.” Estas foram as primeiras palavras que recebi no Huambo, uma cidade fantástica. Embora tenha sido uma das cidades mais destruídas pela guerra, onde ainda são bem visíveis os danos causados, o trabalho de reconstrução que está a ser feito deverá ser um exemplo a seguir.
 
Huambo não é propriamente um destino turístico, é sim uma cidade onde as memórias e as recordações da guerra são enormes. Era nesta cidade, que Jonas Savimbi, ex-lider da Unita, tinha o bunker que lhe serviu de abrigo nos intensos confrontos no final dos anos 90 e início de 2000 e que poderá vir a ser reabilitado.
 
As crianças, essas parecem imunes à história e ao passado recente, são o que de mais bonito existe em Angola. Lindas, risonhas, com os seus cabelos coloridos cheios de trancinhas dançando kuduro à passagem do Trio Eléctrico Blue. Não sei se vêm formatadas à nascença com o programa de kuduro instalado o certo é que mal se aguentam em pé e já dançam. Escusado será dizer que o Blue Road Show no Huambo foi um sucesso, nem seria de esperar outra coisa.
 
No Sumbe, aproveitei o facto de estar perto das Cachoeiras do Binga que ficam a 30km do Sumbe, na Gabela (município da província do Kwanza Sul). E valeu a pena. Como se não bastasse o percurso que é de uma beleza estonteante, no local, o barulho das águas preenche o espaço como se de uma música se tratasse. O espaço está bem preservado com portagem à entrada, onde um cordão cerra o acesso à zona turística. Não existe um valor mínimo obrigatório, ficando à consideração dos turistas o valor a dar para a manutenção do espaço. Mas o que me levou ao Sumbe foi mesmo o Road Show, desta vez teve lugar na praia, com entrada gratuita. Conseguimos juntar 8000 pessoas para assistir a mais uma grande actuação do Anselmo Ralph. No regresso a Luanda passámos numa pequena aldeia para cumprir a nossa promessa. Na altura e no regresso do espectáculo da Blue em Benguela, parámos na mesma aldeia onde tirei uma foto com o avô e os seus dois netos. Ele pediu que lhe levasse a foto e prometi-lhe que na próxima vez que lá passasse a entregava. Assim foi. Queria que vissem as caras de alegria daquela gente. Incrível como um gesto tão pequeno assume uma importância tão grande.
 
Está a chegar ao fim o nosso Road Show pelas províncias, tem corrido bem mas tem de terminar em grande. No próximo sábado vamos ter o encerramento no Karl Marx em Launda e espero que este seja a cereja na ponta do bolo. A Blue merece, a Blue Team também.
 
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 23:40
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Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Portugal num Lusco Fusco...

Foram meia dúzia de dias que souberam a ouro. É verdade que pouco foi o tempo que tive para estar com as pessoas que mais gosto, infelizmente desta vez, algumas nem vi. É certo que também não contava com esta ida repentina à minha terra, soube a pouco, mas antes a pouco que a nada. Reuniões destas podem vir mais, sabe sempre bem carregar baterias, mesmo que a carga não chegue a ficar completa. Eu optei por utilizar carregadores de carga constante, são carregadores que trabalham o tempo todo enviando a carga máxima. A malta cá gosta de dar carga no mambo e para isso é necessária uma grande amperagem.

 
Não escondo que já tenho saudades dos beijos e abraços que dei e dos que não dei. Recordo todas as palavras que te disse e as que não te disse me parecem mais importantes do que todas as que vivemos juntos. Saudades da forma terna como me olhas, mesmo quando deixas cair uma lágrima que finjo não reparar. Outro dia em casa tropecei na tua ausência, encontrei fotos tuas, fotos nossas. Não estás cá! Tenho tantas saudades tuas…
 
Eis que voltei depressa ao mesmo destino de sempre: Luanda. Tem sido sempre assim. Os dias vão passando rapidamente, uns mais que outros, mas todos eles passam. Nos dias que passei em Portugal perdi o Blue Road Show de Malange, mas como a Team não falha foi mais um sucesso da Blue. Fica para outras núpcias a visita à terra do Palanca Negra, às quedas de Kalandula e às pedras negras de Pungo Andongo. Pelo que contam são autênticas maravilhas da natureza, mas também não tinha piada conhecer tudo num mês só. Contudo voltei a tempo de acompanhar o Road Show na província de Kwanza Norte, mais concretamente na cidade de Ndalatando. Valeu o cansaço da viagem, as duas horas para sair de Luanda, mais as três horas e meia para chegar à cidade de Ndalatando que fica a 270km de Luanda. Pelo caminho compreendi que ainda existe em Angola harmonia entre o homem e a natureza. Percorri vários km apreciando a grandiosidade da paisagem. Ladeando a estrada imensos imbondeiros, que contrastam com verdadeiras florestas de cactos enterrados em terreno seco e vermelho. Já na cidade encontro uma terra de gente simpática e civilizada, tão civilizada que fizeram fila para entrar no Cine Ndalatando, local que acolheu mais um espectáculo do Blue Road Show. O público merecia, a Blue retribuiu com mais uma grande noite de festa. Infelizmente a cidade ainda tem uma oferta bastante deficitária no que diz respeito à hotelaria, tão deficitária que mal acabou o espectáculo eu e o Joka voltámos para Luanda. Volto a casa cansado. Foi um bom dia, pleno de emoções e novas descobertas e claro sempre em boa companhia. Cansado, mas a sorrir, afinal tínhamos cumprido a nossa missão e pelo meio ainda conseguimos fazer sorrir aquela gente. É este o poder que Angola exerce sobre nós: consegue-nos realizar humanamente.
 
Bem sei que estás longe do teu filho, que é a pessoa mais importante da tua vida... mas com o teu trabalho e de toda a equipa estás a fazer sorrir muita gente e eu "invejo-te" por isso!
 
By Cristina Lima
 
É verdade, não pensem que aqui o menino deixou de ir à igreja ao domingo de manhã. Mesmo depois de ter chegado a casa às três e meia da manhã, vindo da Ndalatando, às nove da manhã lá estava ele com a Team na Igreja da Nazaré para mais uma acção de degustação do já famoso N’Ice Tea. Desta vez até tive direito a foto e tudo.
 
Entretanto esta semana vi pela primeira vez um Ford Focus. Hummers, Porshes Cayenne, Jeeps e Mercedes, esses sim, há que nem Fords aí em Portugal. Em cada rua que passo ou a cada passo que dou vejo carros que nunca tinha visto na vida. Nos últimos dias, (recordo que a 3 de Setembro vai haver eleições legislativas) o governo faz uma propaganda brutal, ouvindo-se em vários meios que Angola é um “canteiro de obras”. Eu prefiro chamar-lhe trincheira de obras, mas há quem diga que Luanda é a Nova York de África, ou se ainda não é para lá caminha. Faz-me confusão como é que querem fazer de Luanda uma cidade ao estilo de Singapura ou Hong Kong, com torres de quarenta andares, numa cidade onde a luz falta a cada minuto. É bom que se previnam com geradores de alta potência, caso contrário a poluição sonora vai aumentar na cidade com os alarmes dos elevadores accionados por quem lá irá ficar preso. O mais triste é pensar que muita gente acha que assim é que é bonito e que só assim se viverá bem. Será que sabem o que é uma praça, um jardim, um parque? Não me parece, afinal seria um desperdício de terreno e claro ficaria muito melhor uma torre que um desses inúteis espaços de lazer. Tenho acompanhado a aberração que estão a fazer na “minha” baía. Meu deus que desastre. Estão a estender uma língua de terra pela baía dentro, para, imagine-se: construir mais duas torres, que mais poderia ser? Acho que só se estão a esquecer, é que mesmo estas torres tendo parques de estacionamento, as viaturas quando saem dos seus belos parques subterrâneos embocam num caos, onde para se fazer 2km somos capazes de demorar duas horas, como aconteceu ao Filipe Santos (meu amigo jornalista do Record) que veio acompanhar a digressão do Glorioso a Angola e quase ia perdendo o avião graças ao trânsito caótico da cidade. Enfim, Angola é nossa!
 
Há um tempo atrás disse que ainda iria fazer um trabalho de fotografia com os dizeres que se encontram nas placas e nos cartazes espalhados na cidade com vários anúncios. Autênticas obras de arte. É delicioso. Vejam! No comments.
 
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 23:47
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Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Blue Road Show - Lubango

 

A segunda paragem da nossa tournée Blue Road Show teve lugar no Lubango, capital da província Huíla e antiga Sá da Bandeira. Decorreu no passado sábado no Pavilhão do Benfica do Lubango (que mais poderia ser… o Glorioso está em todo o lado) e estiveram presentes cerca de 2000 pessoas. Foi mais uma grande noite da Blue, onde o Anselmo Ralph, o Paul G, os Zona 5 e o Leokeny brilharam ao mais alto nível, muito bem acompanhados por cantores locais e pela nossa pequena estrela Blue, a Telma, que cada dia que passa brilha mais, arrancando uma grande ovação do público ao interpretar dois temas da Yola Semedo. Parabéns à Telma pela prestação no espectáculo e pelos 15 anos comemorados durante o espectáculo.
 
Se no post anterior referi que quanto mais conhecia Angola, menos gostava de Luanda, depois de ver Lubango e as suas atracções turísticas fiquei convencido. Lubango fica situada num vale, entre montanhas, fazendo lembrar Portugal e uma das suas e tantas serras. O tempo não foi muito mas conseguimos dar uma escapadinha e ver algo mais que a cidade. Num dos intervalos de preparação para mais um espectáculo desta fantástica tournée pelas províncias de Angola, subimos um morro a 2100 metros de altitude para ver de perto a estátua do Cristo Rei. Não que não se veja bem da cidade, mas sim porque lá de cima conseguimos avistar toda a cidade e a região em volta. O monumento foi instalado em 1957 numa altura em que Lubango ainda se chamava Sá da Bandeira, no tempo colonial. Andreia, ias adorar cá voltar, a tua antiga cidade é um fascínio quase irreal.
 
Mas o Cristo Rei é apenas uma das poucas maravilhas da região. Demos também um salto à Serra da Leba. Um portento de engenharia, com uma estrada que desce a serpentear a serra e onde a paisagem muda a cada curva. Acreditem que é de tirar o fôlego com tanta beleza.
 
Num dos finais de tarde, subimos, por montes e rochas, até à própria mãe natureza. A Tundavala. A Tundavala é uma fenda, um abismo que termina numa escuridão de árvores, cobras e mistérios. Dizem que muitas vidas acabaram ali, durante os anos sombrios da guerra, e é triste pensar que mesmo a maior beleza esconde um lado de horror e morte. Em frente, lá muito em baixo, estendendo-se até ao limite do horizonte, vemos as terras dos mucubais envoltas por uma imensidão verde, aparentemente sem fim. Estão a ver o Robert Redford e a Meryl Streep no África Minha? A sensação deve ser a mesma. Brutal! Numa outra qualquer parte do mundo a Fenda da Tundavala já estaria transformada num destino turístico de eleição, com bilhetes para entrar e visitas guiadas, com histórias macabras dos antepassados e até mesmo com restaurantes, mas aqui não é mais do que um miradouro perdido no fim de uma estrada de cabras. Talvez seja melhor assim. Parto de volta para Lubango com a sensação de que nenhuma fotografia lhe faz justiça. Aquilo não é possível, todavia está ali.
 
E quando o dia termina e o sol se põe, cai a noite, silenciosa carregada de pensamentos e emoções, que transparecem como as estrelas no escuro, tão perto e ao mesmo tempo tão distantes. Neste momento, no meu sonho, o que seriam conversas longas e interessantes, sorrisos e carinhos traçados, não passam agora de imagens colocadas num álbum fotográfico ou até mesmo num ipod. Se o dia se torna noite, nós também nos transformamos e os sonhos assumem aqui todo o protagonismo. A beleza dos sonhos existe. Até já!
 
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 11:32
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Team Operativa

Tal como tive oportunidade de referir no post anterior, esta semana começámos a nossa Tournée Blue Road Show 2008 com o Anselmo Ralph como cabeça de cartaz. Vai ser bom, vai correr muito bem. Aguardo ansioso pelo passar das horas que faltam para o início da nossa viagem até Benguela, o primeiro destino da Tournée. Fizemos a viagem de carro, são 600 km de estrada boa, comparativamente com o que temos em Luanda. Pelo caminho ficaram paisagens lindas, envoltas num verde deslumbrante e atravessadas por rectas enormes. Apaixonei-me por Porto Amboim, não pela beleza da terra em si, pois trata-se de uma cidade pacata diria mesmo tranquila demais, mas coladinha ao mar com uma praia imaginária onde senti uma paz de espírito desumana. Era menino para investir ali mesmo, bem junto ao mar.
 
Como a viagem era longa pouco foi o tempo que estivemos parados, seguimos para Benguela com paragem no Sumbe para almoço e reconhecimento do local, pois o Sumbe também irá fazer parte da nossa Tournée. Um belo almocinho, mesmo por cima da praia e com a excelente companhia dos meus kambas Joka e Miguel. Passadas mais algumas horas estávamos a chegar ao Lobito. Demos uma volta pela cidade, pois no dia seguinte iríamos estar em acção com o Trio Eléctrico naquela cidade e tínhamos de garantir que os seus seis metros de altura não iriam fazer estragos. Arrancámos depois para Benguela, local escolhido para quartel-general da Blue Team. Ao final do dia já tínhamos a equipa toda reunida. No dia seguinte começava a grande operação Blue Road Show. Arrancámos cedo em direcção ao Lobito onde o Trio espalhou música e alegria pela cidade que mais parece Israel. Neste dia e fruto da minha costela de paparazzi, ia ficando sem a máquina de filmar. Fui apanhado pela polícia a filmar a passagem do Trio Eléctrico… ele deve ter pensado: Já ganhámos a nossa gasosa hoje. Sorte a nossa que foi mesmo gasosa, e da boa, era Blue só podia ser. Passado algum tempo, já com a máquina em meu poder o Comandante dizia: Bem vocês até podem filmar, mas não se ponham da parte de fora do carro, façam com cuidado. Enfim, Angola é nossa!
 
A estreia do Trio no Lobito fazia prever o sucesso que viria a ser em Benguela. Superiormente conduzidos pelos operativos da Polícia, foi um furor nas ruas daquela cidade os dias de quinta, sexta e sábado. A promoção do espectáculo estava feita. Tínhamos a certeza de que iríamos esgotar o Cine Kalunga no sábado à noite. Era impossível ficar indiferente ao aparato que criámos na cidade. A nossa certeza confirmou-se quando algumas horas antes do início do Show tínhamos a bilheteira toda vendida e ainda existia uma multidão a querer bilhetes. Sou suspeito de falar, mas vou ser imparcial nas palavras que vou dizer: Foi um sucesso! E só foi possível graças a mais um excelente trabalho da Blue Team, que mais uma vez mostrou ser a Team mais Operativa de Angola e quem sabe do Mundo e arredores… Adormeço a sorrir, esgotado, mas a sorrir. O sorriso pode não estar cá algumas vezes, mas há a certeza de voltar sempre.
 
Domingo foi dia de regresso. Viagem pacata, calma e nostálgica com pensamentos que ficam em nós, não só pelo que se viveu, mas essencialmente pelo regresso à confusão de Luanda. Depois de se conhecer mais um pedaço de Angola, Luanda ainda se torna mais triste e degradante. A vontade de todos era ficar…
 
Mas enfim, nem tudo é mau. Nesta terça-feira fui assistir pela primeira vez, ao vivo, a um jogo de Basket. Foi no pavilhão do 1º de Agosto, onde a equipa da casa defrontou o Petro de Luanda (a minha Team em Angola). Demos uma tareia na equipa da casa e vencemos por 79-89. Fantástico o ambiente vivido no pavilhão. Sabia que eram bons no Basket, não imaginei é que fossem tão bons. Dany, como me lembrei de ti. Tinhas adorado ver.
 
Bom, agora está na hora de fazer novamente as malas rumo ao Lubango, o Road Show continua. Os dias passam e o tempo escasseia como se se tratasse de uma corrida contra a maré. Confesso que não tenho muito, mas preciso de tempo. Tempo para pensar, para planear, para executar e tempo para ver com transparência o presente e pensar no futuro, risonho e repleto de boas surpresas!
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 07:54
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Domingo, 27 de Abril de 2008

Onde estou?

Acordo, onde estou? Não me limito a pensar, coloco mesmo a questão: «Onde estou?» A pergunta não faz qualquer sentido, pois sei exactamente qual é a resposta. Estou aqui, no 2º andar do nº 57, na Avenida 4 de Fevereiro na marginal de Luanda onde tudo acontece (se estão a pensar enviar-me alguns presentes façam-no antes para a morada da empresa, é mais fácil apanharem-me lá. Aqui fica: Refriango, Rua Rainha Ginga, nº212, Luanda – Angola. Agora já não têm desculpa…eh eh eh). Acordo com o som interminável dos agentes de trânsito. Mas o que se passa? Isto não é normal! Levanto-me e vou em direcção à janela… Uau! Nem queria acreditar no que estava a ver. Como é possível ter perdido uma coisa destas. Que grande acidente! Pelo que pude apurar, o condutor do camião, conseguiu dar cabo, nada mais nada menos que de onze carros. Não cheguei a perceber se alguma das viaturas acidentadas transportava alguém, se sim dificilmente vão conseguir contar o que realmente aconteceu. A marginal de Luanda deve ser das poucas estradas sem buracos o que convida o pessoal a acelerar. É aqui que os aceleras testam as suas bombas, até mesmo os condutores de pesados que saem do porto de Luanda.
 
Volto para dentro, depois de ter recolhido as obrigatórias fotografias e dou comigo a pensar: estou aqui, na minha vida de todos os dias, no lugar onde, independentemente de eu ter ou não aprovado certos acontecimentos, certos factos e circunstâncias, eles se tornaram parte da minha existência.
 
Domingo, sou só eu e o ruído da avenida da marginal que passa mesmo em frente à janela, uma lata de Cuca (cerveja cá da terra), o entardecer sobre a baía e o Xiquinho. O Xiquinho é o pombo que me faz companhia horas a fio, em cima do candeeiro da rua. Hoje acordei com chuva. Quando assim acontece, deixo-me ficar debaixo dos lençóis na preguiça, a praia já era, logo hoje que até estava a apetecer apanhar um pouco de sol, enfim acabou por não ser mau. Aproveitei para conhecer melhor os miúdos do prédio que todos os domingos à tarde aproveitam para jogar basket no pátio. Enquanto os vou fotografando, vem-me à memória o Dany… tenho bué saudades tuas puto. Adoro-te! Se Luanda não fosse tão insegura trazia-te cá para assistires a alguns jogos de basket, tenho a certeza que ias adorar. Angola é campeã africana de Basket e isso está bem presente por todo o lado. É frequente encontrar pequenos campos de basket espalhados pela cidade, com tabelas improvisadas onde a miudagem se vai divertindo e aperfeiçoando a técnica. Eu pude ver ao vivo no meu pátio…os putos têm talento para isto. Juntam-se em grupos de três e vão jogando uns contra os outros. Quem chegar primeiro aos dez pontos ganha, a equipa derrotada sai, entra outra e assim vão passando horas e horas a jogar, com desportivismo e civismo, coisa que por cá não abunda.
 
Entretanto os preparativos para a tournée Road Show Blue 2008 já começaram há alguns dias. No próximo sábado dia 3 de Maio arranca em Benguela pelo segundo ano consecutivo esta iniciativa da marca Blue que tem como objectivo criar momentos de diversão e entretenimento junto de todos os amantes da música e dança angolana. Esta última semana foi para preparar toda a logística inerente a esta tournée. Tudo tem de estar “impéc”. A Blue Team parte já na terça-feira com destino a Benguela para preparar no local as várias iniciativas que vamos ter. Estou certo que vai ser um sucesso. Vamos arrasar e este ano até podemos contar com o nosso TriStar (nome de baptismo do trio eléctrico). Como cabeça de cartaz vamos ter o “demolidor” de corações d’Angola, o Anselmo Ralph, que nos acompanhará pelas sete províncias onde passará o Road Show. Vejam a notícia que tem saído nos órgãos de comunicação social:
 
http://www.angolapress-angop.ao/noticia.asp?ID=612649
 
Enquanto vejo a chuva cair, interrogo-me sobre o que significa fazer parte de alguma coisa e ter consciência disso. Penso também no que é ter alguém que chora por mim. Fico com a sensação de que faz tudo parte de um mundo extremamente distante, mas não suficientemente distante para ser inatingível.
 
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 22:32
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Domingo, 20 de Abril de 2008

A outra Angola...

Quatro da manhã, acabei de chegar a casa, o sono não é muito, apetece-me mais escrever, apesar de daqui a pouco ter de me levantar, amanhã (domingo) é dia de trabalho e é também dia de derby Porto-Benfica e caso o Benfica não ganhe por menos de três é uma chatice porque depois amarro o burro e não há blogue para ninguém… eh eh eh, grande moral. Vim directamente do D. Quixote que estava muito bem frequentado com a festa branca da Smirnoff. Enquanto os amigos na Tuga se vão divertindo pelo Túnel, aqui o menino tem de se contentar com o D. Quixote. Em tempos ainda me dei ao luxo de relatar estas festas, desisti, não há palavras, nem mesmo de Conde que retratem de forma leal o nível duma festa destas. Antes do D. Quixote um belo jantarinho em boa companhia no Chillout. Foi sem dúvida uma forma bem agradável de terminar a semana. Esta sim uma semana diferente.
Finalmente conheci uma outra Angola. Mais organizada, mais calma, mais civilizada, mais limpa, mas não menos impressionante no que diz respeito à pobreza. É avassalador ver o rasto da guerra pelos sítios onde passou. Tanto para dizer, mas uma só palavra me ocorre: Impressionante!
 
Na quarta-feira acordei cedo, levava como destino o Huambo. Desta vez a entrada no aeroporto 4 de Fevereiro fez-se pela parte dos voos domésticos e para desilusão minha não existia entrada para o protocolo (já não há respeito pelos Condes… tá mal). Contudo as condições eram razoáveis até tinha sala de espera com bar e TV. Uma hora depois estávamos a aterrar no Huambo e visto do ar deu logo para perceber que se tratava de uma outra Angola. A curiosidade invadia-me, por diversas vezes ouvi falar sobre as províncias e o que ouvia agradava-me. Agora pude verificar com os meus próprios olhos e compreendo mais facilmente o entusiasmo com que algumas pessoas falam da antiga Angola e da paixão que transmitem. Agora sim, entendo que Angola não é só Luanda, aliás Luanda nem parece fazer parte desta Angola.
 
Huambo, antigamente conhecida por Nova Lisboa, chegou em tempos a disputar a capital de Angola, perdendo para Luanda devido à melhor localização desta última por via marítima. É a cidade que dá nome à província, da qual fazem parte onze municípios. Em tempos já foi considerada uma das mais belas cidades de Angola. Neste momento pode até não ser, a guerra também passou por aqui e as marcas são bastante evidentes, mas as estradas são largas, as pessoas afáveis, podemos andar nas ruas confortavelmente, sem sentir aquela sensação de perseguição ou desconfiança que sentimos em Luanda, não precisamos sair de casa sem relógio e podemos andar com os telemóveis e as crianças, ai as crianças…
 
Tive pena de não ter tempo para fazer turismo, vi aquilo que foi possível ver, o suficiente para perceber que aqui sim valia a pena. Depois de um dia no Huambo rumámos durante cerca de três horas em direcção ao Kuito. Durante a viagem de carro por estradas de terra vermelha, o cenário oscila entre o fascinante e a penúria. Os alguns mercados que se encontram à beira da estrada são assustadoramente belos. As condições de sobrevivências daquelas pessoas faz-nos sentir uns privilegiados.  
 
Ao entrar no Kuito, antiga Silva Porto e apesar da calmaria, olhar para a destruição que ainda está bem patente na cidade deixa-nos boquiabertos. Os edifícios parecem crianças com sarampo, cravejados de balas por todo o lado. O Kuito faz parte da província do Bié que está localizada no centro do país e da qual fazem parte nove municípios. À semelhança do Huambo, também aqui não se passa nada, aliás aqui já cheira a civilização. Podemos andar tranquilamente e conviver com as pessoas. As crianças brincando nas ruas adoram ser fotografadas, vão à escola e levam os bancos para se sentarem e parecem ser sempre felizes independentemente das condições em que vivem. Fantástico como nos cinco meses que estou em Angola e com a brutal taxa de natalidade que existe, nunca tenha ouvido uma única criança chorar. Não sei se isso é bom se é mau! Sei sim, que nunca ninguém me disse que o sorriso nos pertence, nunca me foi prometido, simplesmente podemos tentar arrancar um sorriso, mesmo nas situações mais adversas. Basta querer! Eu quero ficar perto de tudo que acho certo, mesmo estando longe e até ao dia em que mudar a minha convicção.
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 23:13
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Domingo, 13 de Abril de 2008

Vai ser bom, não foi?

No passado dia 14 de Março, véspera do casamento do meu sobrinho Emanuel, chego ao aeroporto 4 de Fevereiro de malas feitas para mais um regresso à minha terra. Existe sempre um local ao qual chamamos de nossa terra e dizemo-lo com orgulho. É a minha terra, é lá que está o meu filho, a minha família, os meus amigos e a outra parte de mim.
 
Deviam ser umas nove horas e trinta minutos, a fila para o check in era interminável e o cheiro era intenso, levava no bolso 1000 kuanzas já preparadas para uma entrada “à campeão” pela porta do protocolo. Dirigi-me à referida porta como se nada fosse e na altura de entrar, sou abordado por um dos seguranças que me pediu 100 dólares para poder passar. Conversa puxa conversa, acabei por conseguir passar por 1000 kuanzas o mesmo que 10 euros. Acreditem que é um dinheiro bem gasto! Abençoada gasosa!
 
Já dentro do avião e comodamente sentado junto a uma das janelas, aproveitei para fotografar Luanda vista de cima. Por breves momentos recordo o que tenho vivido por aqui, meus Deus, Luanda é aterradoramente feia. Enquanto não começa o filme “Mr. Bean em Férias” o meu pensamento vai para tudo o que me espera em Portugal. Vai ser bom… é sempre bom voltar à nossa terra. Parto consciente do que me espera e do que tenho de viver… e vivi, encontrei a outra parte de mim, aquela que me preenche, a que me faz feliz e a que me dá força para continuar este projecto.
 
Voaram as três semanas em Portugal. Guardo no Meu Coração tudo o que vivi. Agora é hora de voltar. Regresso pela quarta vez e sei o que me espera, sei que vai correr bem. Volto para a minha casa, para junto da minha Team e para dar continuidade à minha escolha, à minha vida. O futuro é incerto, mas sempre acreditei e continuo a acreditar que tudo na vida nos acontece pelo melhor.
 
Chego a casa, pouso as malas e a primeira coisa que faço é dirigir-me à janela para olhar a Baía. A sua beleza contrasta com a pobreza adormecida em cima de um dos bancos de jardim da marginal. Ao olhar para cima do frigorífico vejo o bilhete que a Silvana deixou na véspera de voltar a Portugal. Não consegui conter um sorriso pela forma fantástica com que escreve… Entretanto já passaram três semanas espero que a mãe dela esteja melhor… se tiver.
 
No regresso ao trabalho tinha a mais recente aquisição da empresa à minha espera, nada mais nada menos que um trio eléctrico (Tri Star). Brutal… fiquei sem palavras ao ver a nossa nova coqueluche. Agora sim, vamos arrasar, aliás, vamos cilindrar! A concorrência que se prepare. A Blue Team teve toda a semana em formação e na passada sexta-feira fizemos o teste de fogo do Tri Star. Levámo-lo à Vila Alice e já deu para perceber o potencial que o “menino” tem. Vai ser mais uma ajuda para fomentar as vendas do já célebre N’Ice Tea. Tenho a certeza de que o nosso chá gelado com sabor a fruta vai acabar por ser um case study de sucesso.
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola
     
    
    
P.S. Longe e perto, sinto a vibração de quem nada por entre os tubarões e no entanto isso não nos fez qualquer diferença, nem mesmo quando dançámos kizomba ao som de rock e também não o fará no dia em que voltar!
Para ti, meu anjo!

publicado por Conde de Angola às 23:42
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Segunda-feira, 10 de Março de 2008

Angola é nossa!

Olá amigos, sabem onde há praia boa em Março, sabem, sabem?… não, não é Ermesinde, é mesmo em Angola. Hoje vim sozinho, trouxe comigo um caderno, uma caneta que teima em falhar, enquanto tento escrever este texto e um livro que serve de carteira, onde guardo algumas notas para pagar o almoço. Vou escrevendo, debaixo de um calor abrasador. Volta e meia caem uns pingos no caderno, não, não é da chuva, é mesmo da água que escorre do meu cabelo sempre que venho do banho. Trouxe também o meu inseparável mp3 onde tenho gravado a música do Ronan Keating – “When you say nothing at all” que faz parte da banda sonora do filme Notting Hill, filme que vi umas 10 vezes, tal como todos os outros da Júlia Roberts. A Júlia é o meu amor impossível, lembro-me de ter amigos a dizerem: “Não sei o que vês nela” e lembro-me de responder com um simples: “Eu sei.”. Nem tudo na vida tem de ter uma explicação, ou tem?
 
 
De certeza que se recordam do primeiro dia em pegaram num carro e começaram a conduzir, o nervoso miudinho que se sente é algo que nos incomoda de forma incomparável. Já conduzo desde os 18 anos e 17 anos volvidos, (praticamente metade da minha vida) voltei a sentir essa estranha sensação. Foi na passada sexta feira, dia em que comecei a conduzir em Luanda. A sensação foi como se tivesse pegado num carro pela primeira vez. Tudo é novo, os sinais de trânsito, quais sinais? Isso interessa? Nahhh, é normal andarmos por estradas que têm placas de sentido proibido, é frequente encontrarmos buracos nas estradas tapados por lençóis de água, é normal querermos andar e ficarmos parados, é difícil atravessar cruzamentos, com o tráfego permitido em todos os sentidos e, na maioria dos casos, sem qualquer sinalização onde ganha prioridade quem mete o focinho primeiro… como diz o Miguel: Angola é Nossa! Luanda é sem dúvida a melhor terapia para os adeptos fanáticos da IC19 e da 2ª Circular… quem por aqui passa fica curado desses males. Ai fica, fica, garanto-vos! Mas nem tudo é mau, vejam só: pode-se conduzir e falar ao telemóvel, pode-se andar sem cinto de segurança, pode-se beber à vontade, não admira que ao domingo de manhã seja frequente ver carros estampados no acesso à ilha, sinal da ressaca da noite anterior, só não se pode mesmo é estacionar os carros com as rodas em cima dos passeios, são 12.000 kwanzas de multa (120 euros)… Angola é Nossa!
 
Este foi um fim-de-semana prolongado IUPIIIIIIIIIIIII, finalmente dois dias seguidos de descanso para a Blue Team. No sábado foi feriado (acabei por passar o dia no escritório) e aproveitei para folgar a equipa no domingo. Gostava que tivessem visto a cara dos rapazes quando lhes disse que no domingo podiam ficar a descansar. Há já uns meses que não acontecia… eles merecem, têm sido incansáveis. Os que não são genuínos não têm lugar nesta equipa e esta semana infelizmente houve um que perdeu o meu voto de confiança e saiu. Roubos não e, mentiras menos ainda.
 
A meio da semana fui surpreendido com a chegada de ex-colegas meus da GCT. Durante anos vivemos porta com porta, entrávamos nos gabinetes uns dos outros, bebíamos café juntos, íamos às mesmas reuniões, discutíamos futebol à segunda-feira de manhã… eram tipo segunda família. Por vezes passava mais tempo que com eles do que com a minha própria família. Tem piada as voltas que a vida dá, quem diria que os voltaria a encontrar em Luanda, ainda por cima em empresas diferentes e com locais de trabalho na mesma rua, a Rainha Ginga, eu no número 212 e eles meia dúzia de números mais acima. Quando os vi só lhes disse: “Eh pá tenham lá calma que isto não é assim tão mau quanto parece”. Tinham acabado de aterrar e reconheço que para quem vem a primeira vez o choque é grande. Ao sair da porta do aeroporto e ao ver a luz da rua a vontade é de voltar para trás e ficar mais algum tempo à espera que as malas saiam… enfim não é fácil, mas também não é difícil é simplesmente diferente. Carregado de emoções fortes é de certeza.
 
Aproveitei o facto de eles cá estarem para matar saudades dos tempos que passámos juntos, no sábado à noite fui buscá-los à guest house deles e levei-os a jantar ao restaurante Tia Maria nos Coqueiros. Preferi este ambiente mais angolano aos restaurantes da ilha, frequentados por pseudo-novos-ricos. Aconselho a quem não conhece, fica mesmo encostado ao estádio dos Coqueiros, onde joga o 1º de Agosto, equipa orientada pelo conhecido Vítor Manuel. Não é propriamente barato, mas em Luanda, nada é barato, só mesmo o tabaco. Uma espetada mista de peixe duas Super Bock e um café ficou por 3300 Kwanzas, o mesmo que 33 Euros. Um estudo recente coloca mesmo Luanda como a cidade mais cara do mundo, à frente de Oslo, Moscovo, Stavanger (Noruega), Copenhaga, Kinshasa, Seul, Libreville (Gabão), Genebra e o centro de Londres, no 10º lugar. É por estas e por outras que dou comigo a pensar como é possível o Augusto, um dos meus rapazes, com 23 anos e com 4 filhos conseguir sobreviver com um ordenado de trezentos e poucos dólares.  Enfim… Angola é Nossa!
 
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola
 
P.S. Sábado foi dia internacional da mulher. Elas merecem este dia, são um ser fantástico, capaz de nos surpreender todos os dias… Feliz do homem que por um dia souber entender a alma da mulher!

publicado por Conde de Angola às 07:40
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Segunda-feira, 3 de Março de 2008

Mulheres de Angola

O miúdo nas costas, faminto
O sol queimando
O sol assando
O miúdo nas costas, faminto de alimento
As moscas acariciando-o
E o lixo distraindo-o!
 
A zungueira zunga, cansada
Na cabeça, o negócio e o sustento
E nos pés empoeirados
O cansaço dos quilómetros galgados
O cansaço da distância percorrida
A zungueira zunga, o miúdo nas costas faminto!
 
Décio Bettencourt Mateus
in "Os Meus Pés Descalços"
 
Este pequeno excerto do poema de Décio Mateus retrata o “espírito guerreiro” das mulheres angolanas, também conhecidas por Zungueiras. Começo assim o texto desta semana, dedicado a todas as mulheres de Angola, que no passado dia 2 de Março receberam homenagem com a comemoração do Dia da Mulher Angolana… e bem que elas o merecem, são umas autênticas leoas, especialmente as mulheres do pré-guerra. Gordas, magras, altas, baixas, convencem pela conversa transformando um perfume da Avon num perfume Channel. Elas são o embrião do comércio de Angola.
 
Em média têm sete filhos cada uma, há quem diga que este fenómeno se deva ao facto de só cerca de 6% usarem métodos contraceptivos, o certo é que a programação da TPA (Televisão Pública de Angola) também não ajuda a que este número baixe e por outro lado temos o ego masculino que pode ser rejeitado socialmente senão procriar. Enfim, é tudo a ajudar.
 
Longe estão os tempos em que o ganha-pão era responsabilidade só dos homens. Agora a sobrevivência passa a ser uma questão de igualdade, mas onde a mulher carrega tudo: carrega a criança às costas, muitas vezes carrega uma às costas e outra dentro da barriga, carrega as robustas cargas para a venda do dia, carrega o sol na cabeça quando sai e retorna com ele, carrega a ingratidão do marido com os copos, carrega as lamentações das crianças, carrega, carrega, carrega…
 
Carregado de animação também estava o Miami no Domingo à noite. Em noite de derby Sporting-Benfica, muitas eram as camisolas (mais vermelhas que verdes), que assistiam, com olho no burro olho no cigano, quer ao jogo, quer ao espectáculo que decorre todos os domingos à noite. Nós lá estávamos com a nossa Estrela Blue, a Telma, que no fim-de-semana anterior arrebatou o troféu Canta com Blue nas Escolas. É gratificante ver que podemos ajudar a concretizar sonhos de criança. Estou certo que este dia ficará para sempre na memória da Telma e da sua mãe, afinal de contas foi a primeira vez que ela pisou um palco a sério com honras de casa cheia. Minutos antes da Telma actuar fui ter com ela e disse-lhe:
- Telma, é o teu dia, vais conseguir fazer ainda melhor que na final do Canta Com Blue nas Escolas. A Yola Semedo está aí, mostra-lhe como é. Dedica a tua música a ela e à Blue.
- Já tinha pensado nisso e vou também dedicar esta música a todas as mulheres angolanas, disse ela com algum nervosismo.
 
Deu um gozo enorme ver o que ela conseguiu fazer em palco. A segurança com que encarou este desafio, deixa-nos convictos de que poderemos estar perante uma futura estrela da música angolana e que bom foi sentir aquele abraço dela no final, agradecendo a oportunidade que a Blue lhe deu para concretizar o seu sonho. Força Telma, vais longe!
 
Entretanto, esta semana o meu colega açoriano, o André regressou a Portugal quase dois anos depois de ter abraçado este projecto. Agradeço-lhe, não só pela amizade e pelo companheirismo, mas também por todo o trabalho que fez na área da visibilidade das nossas marcas. Quem visita Luanda é obrigado a reparar nas inúmeras placas da Blue que estão espalhas por toda a cidade. Quando as virem já sabem: é obra do André Lima, um castiço que frequentemente se despedia das pessoas ao telefone com a célebre expressão: Beijo no rabo. Obrigado por tudo amigo, eu tomo conta da tua Kiki!
 
Beijinhos e abraços,
 
Conde de Angola
 
 
P.S. Dentro de alguns dias volto a Portugal onde devo ficar uns 10 dias. Vou aproveitar para matar saudades de tudo. Quero muito ver o meu filhão lindo com os primeiros sintomas de acne juvenil. O tempo voa! Daqui para a frente… é viver um dia de cada vez e aproveitar os pequenos momentos que a vida me possa dar…

publicado por Conde de Angola às 21:46
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Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

O espectáculo vai começar!

 

Vá lá amigos, embora esteja a escrever este texto ao domingo, sei que o vão ler na segunda-feira e este dia para muitos de vocês é sinónimo de sacrifício. Ontem tiveram aquela sensação estranha e aborrecida de quem pensa: “Fónix amanhã já é segunda.” Até parece que estou a ver as Vossas caras. Vá, esqueçam lá isso, é só mais um dia, vejam-no como se fosse o início de um novo estágio, o pontapé de saída para um novo desafio, que até pode ser muito bem-vindo e proveitoso, basta querer! Está à distância de um momento… e tudo na vida acontece de um momento para o outro. Passamos a maior parte dois dias atarefados, não é mau que assim seja, mas devíamos tirar alguns momentos da nossa vida, para pensar no que efectivamente nos faz feliz. Ajuda olhar para dentro, para a nossa essência, é lá que estão os sonhos…olhem com atenção e vão descobrir que a beleza dos sonhos existe mesmo!
 
Deviam ser perto das 2h30 da manhã de sábado, dia da grande final do Canta com Blue nas Escolas, acordo sobressaltado e salta-me um desabafo – fo(piiiiiiiiiip) já adormeci! Pego rapidamente no telemóvel e para meu alívio era o António Jordão. O Jordas, estava com o John Peter o Marquinho e mais umas amigas, uma delas a irmã do Camacho (um ganda maluco que conheci na passagem d’ano) num jantar e resolveram, ligar-me para fazer um brinde. Custa muito acordar a meio da noite, mas para brindar com os amigos estou sempre disponível, até mesmo pelo telefone. Senti-me com se fosse um telemóvel a precisar de energia…não da hidráulica, nem da solar e muito menos da nuclear, estou a falar da energia humana, aquela que nos preenche e nos ajuda a viver. Tal como os sonhos, a amizade também existe e sei que se trata de Pura Amizade. Um brinde aos meus amigos!
 
Depois de dormir o resto de horas que faltavam, era hora de acordar. O dia da Grande Final tinha chegado. Tudo tinha de correr bem. Para quem não sabe a Final do Canta com Blue nas Escolas trata-se do culminar de uma iniciativa da Refriango, que visa fortalecer os laços entre a Blue (o melhor refrigerante de Angola e arredores), as escolas e os alunos, pretendendo ao mesmo tempo descobrir novos talentos da música angolana. Depois das dez pré-eliminatórias, que decorreram em dez escolas públicas, dos municípios de Luanda, os vencedores de cada escola encontraram-se no Cine Tivoli para a grande final, que contou ainda com a participação de alguns artistas convidados (Yola Semedo, Leokeny e Génesis).
 
Últimos preparativos, frenesim nos camarins, preparam-se adereços, os rádios intercomunicadores não param de tocar. Tudo tem de sair perfeito. Os cantores afinam as vozes, os técnicos de luz e som fazem os últimos acertos.
 
- Pessoal, faltam dois minutos. Está tudo a jeito, mas não deixa de haver um nervoso miudinho, próprio de quem não vê a hora de chegar. O espectáculo vai começar.
 
“Senhoras e senhores, meninas e meninos, convosco o apresentador da Grande Final, da primeira edição, do Canta com Blue nas Escolas: Jorge Antunes”.
 
Foi assim que começou e até ao fim tudo saiu perfeito, graças a mais um excelente trabalho da Blue Team. Os meus parabéns a toda a equipa… mais uma vez provaram que quando um homem quer, consegue! Vejam a foto da Team e digam lá que estamos com cara de quem tem doze horas de stress em cima. Nada disso! Estamos todos tão felizes quanto a Telma Manuel, da escola Ngola Nzinga que saiu vencedora desta primeira edição do Canta com Blue nas Escolas com a interpretação da música “Desliga” da Yola Semedo. Parabéns Telma, és a nova Estrela Blue!
 
Beijinhos e abraços,
 
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 22:35
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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

I'm Happy

Sinto-me feliz por ver que os dias têm passado por mim a 200 à hora, tão rápido que quase nem os vejo. Parecem-me sempre pequenos para tudo o que quero fazer. Por vezes (quase todos os dias), trago TPC (trabalho para casa) e vou dividindo o serão com o trabalho e com os amigos que vão entrando e saindo. Uns entram pelas janelas do Messenger, outros invadem o Nokia N80 e há também do tipo messenger + N80 (promoção especial para amigos especiais). O sentimento de gratidão para cada um deles é enorme. Tenho confirmado, na primeira pessoa, que ninguém está abandonado neste mundo, nem mesmo em Luanda. Acreditem que no início não é fácil, mas aqui fica um alerta para os que querem vir ou os que por cá permanecem à pouco tempo: Não se isolem, os amigos são a melhor coisa que se pode ter por cá. Tenho feito novas amizades, enquanto vou solidificando as que deixei em Portugal e conto com todos, porque acredito que nenhum caminho é longo demais quando um amigo nos acompanha.
 
Por cá também se comemora de forma entusiasta o dia dos Namorados. Aliás por cá tudo se comemora e tudo é motivo para festa. Nesse mesmo dia, quando o Kalili, para quem não sabe, o Kalili é o meu motorista (não gosto desta expressão mas não encontrei uma melhor), a quem chamo de Kalilas, me apanhou de manhã perguntei-lhe:
_ Kalilas, hoje é dia dos namorados. Já compraste a prenda para a tua dama?
E ele responde de forma peremptória com um sorriso nos lábios:
_ Ainda (ainda = ainda não… eles são mais práticos que nós. Faz sentido isto.)
Meti a mão ao bolso, agarrei na nota de kuanzas que tinha a jeito, dei-lhe e disse:
_ Toma, é para comprares uma prenda para a tua dama. Como este ano não tenho com quem gastar este dinheiro, quero que ele ajude a fazer uma mulher feliz ok? Compra-lhe uma prenda e logo trata-a bem!
_ Sim meu chefe, obrigado -responde ele com um brilho nos olhos.
Para mim foi um dia diferente dos anteriores dezasseis anos, mas nem por isso foi um mau dia, foi simplesmente diferente. A vida é assim mesmo, é como uma cebola, vamos tirando uma camada de cada vez, às vezes choramos, outras vezes somos surpreendidos com coisas fantásticas. A beleza dos sonhos existe... Obrigado!
 
Nada melhor que terminar o dia de sexta-feira com uma ida ao Estádio da Cidadela para assistir ao Super Bock, Super Rock Angola. Enquanto que em Portugal vamos na décima quarta edição, por cá foi a quarta. Os Livity foram os cabeça-de-cartaz, mas para mim valeu sobretudo pela vinda da melhor banda de rock português, os Xutos e Pontapés. As cerca de 15000 pessoas presentes não resistiram ao ouvir tocar, com vivacidade, o tema “Não sou o único”. Foi a maior explosão registada ao longo de toda a noite. O Miguel, o André e claro o Joka acompanharam-me nesta ida à cidadela.
 
Principalmente eles três, têm sido os grandes responsáveis pela minha rápida integração por terras angolanas. No sábado à tarde estivemos juntos na praia e terminámos no aniversário do filho de uma amiga nossa. Conheci pela primeira vez a Taj Mahal. É linda, foi amor à primeira vista. Calma, não fiquem já a pensar que o Conde encontrou um novo amor na vida dele (será que sim?), ou fugiu para a Índia, nada disso, estou a falar da filha do Joka, que tem seis mesinhos e me fez recordar os primeiros meses de vida do meu filho. Um belo fim de tarde passado na praia, com amigos e muitas crianças por perto, onde o espectáculo dado pelo pôr-do-sol foi algo de extraordinário. Os tons vermelhos e laranja misturaram-se entre si, iluminaram o céu e o mar, que se juntaram, não deixando perceber onde terminava um e começava o outro. LINDO.
 
Depois de uma noitada no Chill Out, nada melhor que um dia de praia para recuperar. Um dia igualmente diferente aos tantos outros que tenho vivido por cá, mas delicioso. Estou fatigado desta vida difícil, a praia cansa acreditem… ah é verdade já me esquecia, estou quase preto, por fora só Ya… eh eh eh!!!
 
Beijinhos e abraços,
 
Conde de Angola
 
P.S. Puto, meu camba, tás muito bala, 83% a história é assim mesmo. Amo-te muito!

publicado por Conde de Angola às 12:09
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

Blue Team, N'Ice Team!

São 19h25m, olho adormecido sobre a baía através da janela da minha sala. Luanda está calma sob um céu avermelhado, a baía quase não mexe e ao fundo vejo a fortaleza iluminada. Sinto-me forte e decidido, cada vez mais confiante com a decisão tomada. A felicidade, essa está presente, embora invadida em momentos por alguma saudade entristecida pelo facto de estar tão longe do meu maior tesouro: o meu filho. Deixa-me descansado saber que ele está bem guardado. A Carla é uma mãe fantástica (foi o meu primeiro e até à data, o único grande amor da minha vida). Tal como tudo, também o nosso casamento teve um princípio, um meio e um fim. Embora, muita gente não entenda, conseguimos preservar a nossa amizade. É tão bom que assim seja… e é assim que deve ser pois temos uma coisa que nos unirá para sempre: O Dany. Obrigado Carla, é bom saber que tenho uma amiga como tu. Fecho os olhos com um suspiro e inspiro o ar quente que entra pela janela enquanto vou fumando um cigarro (tenho de acabar de vez com este vício). Tal como o sol, também eu começo e renasço. Tudo de novo. O céu invade-se de cor com o fim do dia e a baía continua cintilante. Extraordinariamente bela. Contemplo-a com um sorriso retraído e deixo-me assim ficar por alguns instantes...
 
A guerra civil que destruiu o país terminou em 2002, e a reconstrução entrou na ordem do dia. É o futuro ajudando a piorar o presente. O trânsito está cada vez pior e é completamente dominado por jipes 4x4 e por centenas de Toyota Hiace azuis e brancas denominados por “Candongas”. São os "táxis", ou candongas, o único meio de transporte público da cidade. Em Luanda, para quem não arrisca a andar nas entulhadas candongas (e não se vê branco, ou "pula" como nos chamam, nos candongas), é indispensável ter um carro. Isto explica o caos.
  
Entretanto, a Blue Team está mais forte. Chegaram a Luanda, depois de umas merecidas férias em Portugal, os meus colegas Miguel e Sónia. Bem Vindos, conto convosco! Toda a ajuda é preciosa, a “guerra” que temos pela frente vai ser dura, mas a nossa Team vai sair na frente. O ambiente de trabalho é fantástico e o espírito de entreajuda que existe entre as várias áreas do departamento enche-me de orgulho.
  
No sábado, enquanto assistia à reunião de apresentação de resultados da área comercial, uma parte da equipa estava nos supermercados, outra a montar a festa que a Blue patrocinou nessa noite no Tamariz e outra ainda a caminho do Belas Shopping (nova atracção luandense, inaugurado o ano passado e administrado por uma empresa Brasileira) para uma acção de degustação do já famoso N’Ice Tea, com patinadores. Depois do almoço com a equipa comercial no Chimarrão, entro em casa, e dou com um recado que a Silvana (minha empregada dia sim, dia não) me deixou. Muito eu ri. Escrito num guardanapo de papel com tinta azul, dizia: Precisa-se dé Skip. Será que se eu comprar detergente da marca Elos ela vai deixar de me lavar a roupa? Vou experimentar! Um dia ainda faço um trabalho de fotografia com os dizeres que se encontram espalhados pela cidade, em placas dos mais variados modelos, grande parte delas afixadas nas paredes das casas. Vai dar um belo book. Depois de um belo jantarinho na casa do Marco com ele e com o Bruno (meus colegas da área comercial) saímos em direcção à ilha. Fomos à festa no Tamariz, onde encontrámos o Joka com as nossas “parceiras” do Belas Shopping. Do Tamariz fomos ao Bay In e depois ainda passei com o Joka no Dom Quixote. Kizombada do melhor. Os “pulas” contavam-se pelos dedos, mas como estava com o Joka, estava com Deus (o Deus da noite).
  
Pior foi no domingo, acordar às 7h30m, depois de dormir duas horinhas. O dever profissional fala mais alto, e o Lima devia estar a passar para me apanhar. Sim, porque hoje é domingo e domingo de manhã é dia de Igreja. Ó N’Ice Tea ao quanto obrigas! E mais uma vez lá estava a equipa para levar de vencida mais uma “batalha”. Foi canja graças a mais um excelente trabalho da Blue Team… N’Ice Team!
  
Entretanto os acessórios para a praia acompanharam-me e segui com o Lima directamente para a ilha para mais uma tarde de praia. Não me lembro de ter este tom de pele em pleno Fevereiro, mas estou a gostar! O Miguel e a Sónia foram lá ter com as filhas (são lindas as miúdas) e ainda encontrámos o Joka que estava a coordenar a degustação do produto nas praias. Foi sem dúvida o momento alto do dia, ver ao nosso produto a ser distribuído e consumido ali à nossa frente. Brutal!!!

Beijinhos e abraços,
  
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 22:33
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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

Luanda On Fire

Olá amigos,
 
Finalmente estou ligado ao mundo… Na passada segunda-feira esperava pelos técnicos da TVCabo às 15h30, acontece que decidiram fazer-me uma surpresa e apareceram logo de manhã. Do mal, o menos, agora sinto-me bem mais acompanhado cá por casa. Acordo e adormeço a ouvir música. Durante o serão, enquanto vou acompanhando a passagem dos spots da Blue, da Pura e do N’Ice Tea na televisão, aproveito para responder a alguns e-mails que ficaram pendurados durante o dia.
 
O despertador toca por volta das seis da manhã, desisti de tentar perceber o calor escaldante com que amanhece o dia, nem quero imaginar como será daqui a alguns anos, mesmo assim, esta é uma hora excelente para fazer uma corrida na marginal. Faço a corrida sem pensar em nada (será possível? Experimentem!), contentando-me a ouvir a música que levo no mp3 emprestado pelo meu filho, sim, porque o meu super, hiper, mega, ipod de 160GB resolveu mergulhar dentro do bebedouro da Sasha (a minha Boxer, que neste momento é a grande companhia da minha mãe) no dia em que embarquei para Luanda. Só estava “artilhado” com cerca de 7000 músicas… o que vale é que o leitor de DVD, permite a ligação do disco externo onde tinha grande parte das músicas arquivadas. Tenho música de todo o género, até mesmo daquela pronta-a-ouvir-e-deitar-fora, que sempre existiu e continuará a existir. Como as luas cheias e os quartos minguantes.
 
Não me canso de elogiar o excelente trabalho da Blue Team. Esta semana foi violentíssima. Non Stop! Tudo temos feito para provar ao povo angolano de que um chá gelado (N’Ice Tea), lá por não ter gás, não significa que esteja estragado. Vai dar luta, mas vamos conseguir. Temos feito de tudo: acções nos supermercados, na rua, nos escritórios, nas praias, nas igrejas, no carnaval, etc…Daqui a algum tempo o N’Ice Tea vai ser um sucesso em Angola… escrevam o que digo!
 
Na sexta-feira, enquanto assistia ao Moda Luanda 2008, por Torres Vedras brincava-se ao Carnaval. Muitos foram os telefonemas e as mensagens que recebi nessa noite, confesso que me fizeram ficar algo melancólico. Volta e meia acontece-me por uma ou outra coisa, basta algo tocar no ponto mais sensível do meu coração.
 
Este foi um fim-de-semana prolongado (para alguns) com dois feriados seguidos. Na 2ª feira (4 de Fevereiro), comemorou-se em Angola o início da Luta Armada de Libertação Nacional e hoje a Marginal de Luanda recebeu milhares de foliões para assistirem ao desfile do corso carnavalesco, que este ano homenageou a dizanga, uma dança tradicional do Carnaval angolano em vias de extinção.
   
Como trabalhei no sábado e no domingo, aproveitei para ir à praia no feriado. O local escolhido, por “estar mais à mão” foi a Ilha. Ligada à Marginal por um aterro, a Ilha de Luanda converteu-se na "cidade dos ricos": aqui se concentra a melhor oferta de bares e restaurantes, com magníficas esplanadas viradas para a baía ou para o mar. Que brasa que estava, e tudo estava a correr bem até que de repente, vivemos momentos de pânico e correria, por causa de uma troca de tiros entre a polícia e um assaltante. Por momentos pensei que estava perante um arrastão. Por sorte ninguém se feriu e a “festa” terminou com o assaltante algemado. Deviam ver o ar de satisfação do polícia depois da captura. Será que estavam a brincar ao Carnaval?
   
Beijinhos e abraços,
   
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 18:38
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

Agora é a valer…

Faz precisamente uma semana que cheguei a Luanda… antes disso, sair de Portugal não foi fácil. Voltar a deixar o Dany, a família, os amigos a pacata cidade de Torres Vedras deixa sempre uma carga nostálgica de grande intensidade. Enfim, é tudo uma questão de chip. Neste momento tenho colocado o de Angola, pois só assim é possível viver aqui, com tudo o que está em Portugal.

Chego a casa, depois de ter passado a viagem no avião a chamar a hospedeira porque a vizinha do lado volta e meia desmaiava, e dou com uma multidão em frente à Baia de Luanda. Curioso com o que se estava a passar, rapidamente percebi que era algo grave. Estavam a remover um corpo da Baia. Belo cartão de visita não acham? Welcome to Angola!

No regresso ao trabalho e agora a valer, a prioridade passa por garantir o sucesso no lançamento dos novos produtos no mercado angolano. Acreditem que aqui, para além de termos de lutar pela conquista do nosso espaço junto dos consumidores, temos de lutar diariamente com as dificuldades que temos com os fornecedores. Conhecem aquela máxima que diz: “O cliente tem sempre razão” (embora não concorde com esta expressão) aqui não se aplica… parece que eles também não concordam com a mesma, mas tudo tem os seus limites.

Foi uma semana intensa com acções atrás de acções. Neste momento a prioridade passa por fazer ver ao povo angolano que o facto do N’Ice Tea não ter gás, não significa que esteja estragado. Têm sido muitas as acções de degustação que temos feito, a última das quais na Igreja Universal do Reino de Deus, mas já lá vamos… entretanto não fiquem já a pensar que o tipo passou-se e converteu-se à IURD.
A equipa tem sido incansável, como em todo o lado, uns mais que outros, mas de um modo geral devo o meu agradecimento à Blue Team (nome de guerra da nossa equipa).

Entretanto Angola já tem mais um jornal semanário, chama-se “Novo Jornal” e na passada quinta-feira tive a oportunidade de assistir ao lançamento do mesmo no Complexo da Endiama. Fui com o Tozé e a Rute (o casal mais cool de Luanda). Foi fantástico reencontrar a minha professora do ISCEM, a Leonor Sá Machado. Está em Luanda como Directora de Marketing do BESA (Banco Espírito Santo Angola). Esta, foi a senhora que me pôs a alcunha de “O senhor do telemóvel” (um dia conto-Vos a história) nos tempos académicos… Estão a ver de onde veio a inspiração do J.J.R.Tolkien quando escreveu “O Senhor dos Anéis”. Depois do evento fomos ao concerto que o Paulo Flores deu no Miami. Valeu pelo convívio, pelos contactos e pelas novas amizades que vamos fazendo. Foi uma noite em grande. Mais uma vez obrigado Tozé e Rute… vocês são os Maiooooooooooooooooooores!

Na sexta-feira foi feriado, por cá comemorou-se o dia Cidade de Luanda, foi o único dia da semana que descansámos. Aproveitei a cortesia do nosso açoriano, André Lima, para ficar a conhecer um pouco mais que Luanda. Saímos cedo em direcção à Praia do Rio Seco, confesso que ainda estava meio combalido da noite anterior. À medida que nos íamos afastando da cidade, a beleza natural ia aumentando. Nem mesmo a picada nos impediu de chegar a mais uma maravilha deste país. Praia encantadora, a fazer lembrar a Praia da Foz perto de Santa Cruz, com a particularidade do mar ser bem mais calmo. Seguimos para Cabo Ledo e depois Sangano, qual das duas mais bonita. Em Sangano existe um complexo turístico (se o Diogo e o Augusto lêem isto ficam todos babados) com o nome de “O Pirata”. É um sítio pacato, composto por bungalows e uma praia fantástica envolta de uma beleza natural digna de um filme de Hollywood. Almoçámos com eles e no regresso parámos no Miradouro da Lua. Situado nos arredores de Luanda, é uma formação de falésias que permite uma vista incrível sobre o mar angolano, principalmente ao pôr-do-sol. Se olharmos à volta facilmente imaginamos estar no planeta lunar, com as suas formações irregulares e com uma aridez fabulosa.

Como são raras as oportunidades de fotografar em Luanda (não é minimamente seguro andar na rua de máquina em punho) aproveitei para levar o equipamento e recolher algumas imagens. Incríveis as crianças e como a inocência do olhar de esperança nos incomoda. Adoro-as!

Domingo foi dia de aventura. No nosso plano, temos calendarizado acções de degustação de N’Ice Tea nas Igrejas ao Domingo de manhã (vá, agora venham lá dizer que não vou à missa). Neste domingo foi na Igreja Universal de Alvalade, deviam estar cerca de 4000 pessoas. Esta acção previa oferecer à saída da Igreja uma lata de N’Ice Tea a cada pessoa… não estão bem a ver a loucura que é. Parece a corrida aos diamantes. Levámos 2400 latas de produto e ao fim de 15 minutos já estávamos despachados… Thank’s Team!


Beijinhos e abraços,

Conde de Angola

 

P.S. Puto, 85 por cento a geografia… Ah maluco, assim é que é. Força, para a próxima chegas aos 100.


publicado por Conde de Angola às 22:55
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Domingo, 27 de Janeiro de 2008

Bem Vindos

Olá amigos,

 

É com enorme prazer que Vos apresento o meu Blog intitulado “Conde de Angola”. Não fiquem a pensar, pronto lá vem este armado em bom, a intitular-se Conde de Angola… não pensem isso, até mesmo porque terras tenho poucas ou nenhumas e condados muito menos. Conde, do latim comes, comitis, significa «companheiro». Quem me conhece bem, sabe que é isto que sou.

 

Tudo começou no dia 26 de Novembro de 2007. Desembarco em Luanda de malas e bagagens prontinho para mais um desafio na minha vida… e este não é fácil, pois em Portugal ficou a pessoa que mais amo na vida: o meu filho Dany.

 

Trabalhar como coordenador de marketing da Refriango é algo que me preenche profissionalmente. A equipa é fantástica. Poder fazer parte da história desta empresa é o meu desafio e ajudar as marcas Blue, American Cola, Welwitschia, Pura, N’Ice Tea, Nutry, Gaivota, Dom Cacho e Tropicana a vender é o meu objectivo.

 

Bom, mas o Blog não tem como objectivo ser um bloco publicitário, tipo, os da TVI que duram 20 minutos, pretendo sim que ele seja uma ponte entre Angola e Portugal. Se ele servir para estreitar distâncias e mostrar que Angola não é o “bicho” que pintam, óptimo. Pretendo partilhar convosco a minha vivência por África, chamada de "o continente esquecido" por historiadores e geógrafos. Tudo o que ouvir, ver e sentir neste mundo mágico e misterioso terei todo o prazer em repartir. Se puder ajudar a mostrar ao mundo muito mais do que a fome e a miséria ficarei muito feliz. Quem aqui vive todos os dias não fica indiferente ao sentimento de esperança que predomina estampado nos olhos das crianças.



Beijinhos e abraços,

Conde de Angola

P.S. Um agradecimento especial ao Marco Castro e à Joana Barradas, pois foram eles os grandes impulsionadores deste blog. Obrigado!


publicado por Conde de Angola às 02:22
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