Domingo, 27 de Abril de 2008

Onde estou?

Acordo, onde estou? Não me limito a pensar, coloco mesmo a questão: «Onde estou?» A pergunta não faz qualquer sentido, pois sei exactamente qual é a resposta. Estou aqui, no 2º andar do nº 57, na Avenida 4 de Fevereiro na marginal de Luanda onde tudo acontece (se estão a pensar enviar-me alguns presentes façam-no antes para a morada da empresa, é mais fácil apanharem-me lá. Aqui fica: Refriango, Rua Rainha Ginga, nº212, Luanda – Angola. Agora já não têm desculpa…eh eh eh). Acordo com o som interminável dos agentes de trânsito. Mas o que se passa? Isto não é normal! Levanto-me e vou em direcção à janela… Uau! Nem queria acreditar no que estava a ver. Como é possível ter perdido uma coisa destas. Que grande acidente! Pelo que pude apurar, o condutor do camião, conseguiu dar cabo, nada mais nada menos que de onze carros. Não cheguei a perceber se alguma das viaturas acidentadas transportava alguém, se sim dificilmente vão conseguir contar o que realmente aconteceu. A marginal de Luanda deve ser das poucas estradas sem buracos o que convida o pessoal a acelerar. É aqui que os aceleras testam as suas bombas, até mesmo os condutores de pesados que saem do porto de Luanda.
 
Volto para dentro, depois de ter recolhido as obrigatórias fotografias e dou comigo a pensar: estou aqui, na minha vida de todos os dias, no lugar onde, independentemente de eu ter ou não aprovado certos acontecimentos, certos factos e circunstâncias, eles se tornaram parte da minha existência.
 
Domingo, sou só eu e o ruído da avenida da marginal que passa mesmo em frente à janela, uma lata de Cuca (cerveja cá da terra), o entardecer sobre a baía e o Xiquinho. O Xiquinho é o pombo que me faz companhia horas a fio, em cima do candeeiro da rua. Hoje acordei com chuva. Quando assim acontece, deixo-me ficar debaixo dos lençóis na preguiça, a praia já era, logo hoje que até estava a apetecer apanhar um pouco de sol, enfim acabou por não ser mau. Aproveitei para conhecer melhor os miúdos do prédio que todos os domingos à tarde aproveitam para jogar basket no pátio. Enquanto os vou fotografando, vem-me à memória o Dany… tenho bué saudades tuas puto. Adoro-te! Se Luanda não fosse tão insegura trazia-te cá para assistires a alguns jogos de basket, tenho a certeza que ias adorar. Angola é campeã africana de Basket e isso está bem presente por todo o lado. É frequente encontrar pequenos campos de basket espalhados pela cidade, com tabelas improvisadas onde a miudagem se vai divertindo e aperfeiçoando a técnica. Eu pude ver ao vivo no meu pátio…os putos têm talento para isto. Juntam-se em grupos de três e vão jogando uns contra os outros. Quem chegar primeiro aos dez pontos ganha, a equipa derrotada sai, entra outra e assim vão passando horas e horas a jogar, com desportivismo e civismo, coisa que por cá não abunda.
 
Entretanto os preparativos para a tournée Road Show Blue 2008 já começaram há alguns dias. No próximo sábado dia 3 de Maio arranca em Benguela pelo segundo ano consecutivo esta iniciativa da marca Blue que tem como objectivo criar momentos de diversão e entretenimento junto de todos os amantes da música e dança angolana. Esta última semana foi para preparar toda a logística inerente a esta tournée. Tudo tem de estar “impéc”. A Blue Team parte já na terça-feira com destino a Benguela para preparar no local as várias iniciativas que vamos ter. Estou certo que vai ser um sucesso. Vamos arrasar e este ano até podemos contar com o nosso TriStar (nome de baptismo do trio eléctrico). Como cabeça de cartaz vamos ter o “demolidor” de corações d’Angola, o Anselmo Ralph, que nos acompanhará pelas sete províncias onde passará o Road Show. Vejam a notícia que tem saído nos órgãos de comunicação social:
 
http://www.angolapress-angop.ao/noticia.asp?ID=612649
 
Enquanto vejo a chuva cair, interrogo-me sobre o que significa fazer parte de alguma coisa e ter consciência disso. Penso também no que é ter alguém que chora por mim. Fico com a sensação de que faz tudo parte de um mundo extremamente distante, mas não suficientemente distante para ser inatingível.
 
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 22:32
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2 comentários:
De Piloto Automatico a 6 de Maio de 2008 às 12:22
Tens um blog com um tema, uma estrutura e uns conteudos/fotos muito fixes!
Diz-me lá, também és tu que orientas a coordenação dos vinhos "Dom Cacho"?


De ana ribeira a 29 de Maio de 2008 às 12:26
Gostava de sentir a tua nostalgia...
Vivo numa terra sem futuro, Portugal!
Gostava de trabalhar em Angola, sinto que aí há futuro!

Bjs.

Ana


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