Terça-feira, 10 de Junho de 2008

6 meses já lá vão...

Em Luanda devemos estar preparados para tudo. É uma cidade no coração da transformação radical, pela qual Angola passa e onde o ritmo dos acontecimentos desnorteia qualquer um, sobretudo os que não estão a ser beneficiados com as mudanças.

 
Desde 2005, a economia angolana é a que mais cresce em África, a uma média impressionante de 17% ao ano, prevendo-se que no ano 2008 atinja os 23%, números de fazer inveja aos melhores anos da China. Luanda é hoje uma das cidades mais caras do mundo e a sua paisagem está a ser invadida pelo boom imobiliário. Conseguir lugar num hotel em Luanda só com a ajuda do Sr. Cunha. Conhecem? É o tal da gasosa. Enfim, é aqui que estou e é com esta realidade que tenho de viver.
 
Fez no passado dia 26 de Maio seis meses que iniciei a minha aventura neste fantástico país. Sem dúvida uma lição de vida que muito me tem feito crescer e valorizar o que é realmente importante. Lições que venho aprendendo e vivendo a cada dia que passa.

Descobri que consigo viver sozinho longe de casa, claro que sinto falta de companhia, do meu filho (passei pela primeira vez o dia da criança longe dele…e dói bastante), mas até não é mau de todo morar sozinho. Vejam só o lado positivo! Posso arrumar a casa ao meu gosto; se não apetecer fazer a cama fica assim mesmo e não tenho ninguém a reclamar; posso comer em casa ou não; finalmente posso ter o meu saco de boxe; a música está sempre na altura que quero; vejo na TV o que mais gosto; não tenho horários para nada; faço exercício à hora que quero; o frigorífico só tem coisas boas! Mas bom, bom, era ter isto tudo em boa companhia, o que vale é que quando bate a saudade há sempre uma moldura por perto, ou um pc com ligação ao messenger.
 
Estes seis meses serviram também para aprender a viver bem comigo mesmo, valorizar o tempo e as pessoas que amo, saber lidar com os conflitos, conviver com pessoas diferentes. A minha felicidade nunca dependeu tanto de mim como agora. Angola tem sido uma viagem bem maior que a distância que a separa de Lisboa, tem sido uma viagem de auto-descobrimento à pessoa que sou, onde o maior desafio será tomar as decisões certas para os próximos anos.
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Está a chegar ao fim a nossa odisseia pelas províncias de Angola. Tem sido uma experiência fantástica conhecer a outra Angola, aliás conhecer a genuína Angola e levar até ela momentos de puro entretenimento e diversão. Este povo bem o merece. A forma carinhosa com que nos recebem “obriga-nos” a retribuir com o nosso melhor. Desde que aqui estou nunca ninguém me tinha dito: “Seja bem vindo à nossa cidade.” Estas foram as primeiras palavras que recebi no Huambo, uma cidade fantástica. Embora tenha sido uma das cidades mais destruídas pela guerra, onde ainda são bem visíveis os danos causados, o trabalho de reconstrução que está a ser feito deverá ser um exemplo a seguir.
 
Huambo não é propriamente um destino turístico, é sim uma cidade onde as memórias e as recordações da guerra são enormes. Era nesta cidade, que Jonas Savimbi, ex-lider da Unita, tinha o bunker que lhe serviu de abrigo nos intensos confrontos no final dos anos 90 e início de 2000 e que poderá vir a ser reabilitado.
 
As crianças, essas parecem imunes à história e ao passado recente, são o que de mais bonito existe em Angola. Lindas, risonhas, com os seus cabelos coloridos cheios de trancinhas dançando kuduro à passagem do Trio Eléctrico Blue. Não sei se vêm formatadas à nascença com o programa de kuduro instalado o certo é que mal se aguentam em pé e já dançam. Escusado será dizer que o Blue Road Show no Huambo foi um sucesso, nem seria de esperar outra coisa.
 
No Sumbe, aproveitei o facto de estar perto das Cachoeiras do Binga que ficam a 30km do Sumbe, na Gabela (município da província do Kwanza Sul). E valeu a pena. Como se não bastasse o percurso que é de uma beleza estonteante, no local, o barulho das águas preenche o espaço como se de uma música se tratasse. O espaço está bem preservado com portagem à entrada, onde um cordão cerra o acesso à zona turística. Não existe um valor mínimo obrigatório, ficando à consideração dos turistas o valor a dar para a manutenção do espaço. Mas o que me levou ao Sumbe foi mesmo o Road Show, desta vez teve lugar na praia, com entrada gratuita. Conseguimos juntar 8000 pessoas para assistir a mais uma grande actuação do Anselmo Ralph. No regresso a Luanda passámos numa pequena aldeia para cumprir a nossa promessa. Na altura e no regresso do espectáculo da Blue em Benguela, parámos na mesma aldeia onde tirei uma foto com o avô e os seus dois netos. Ele pediu que lhe levasse a foto e prometi-lhe que na próxima vez que lá passasse a entregava. Assim foi. Queria que vissem as caras de alegria daquela gente. Incrível como um gesto tão pequeno assume uma importância tão grande.
 
Está a chegar ao fim o nosso Road Show pelas províncias, tem corrido bem mas tem de terminar em grande. No próximo sábado vamos ter o encerramento no Karl Marx em Launda e espero que este seja a cereja na ponta do bolo. A Blue merece, a Blue Team também.
 
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 23:40
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