Domingo, 29 de Junho de 2008

Finalmente África!

Chegou ao fim o Road Show da Blue 2008, que percorreu, durante sete semanas as principais de Angola. Ainda agora terminou e já deixou saudades… para melhor retratar o que aconteceu no espectáculo de encerramento que decorreu em Luanda no Cine Karl Marx, aqui fica uma parte do texto publicado pelo Jornal de Angola.

…”O músico Anselmo Ralph encerrou em grande estilo no Cine Karl Marx, em Luanda, a final da tournée Road Show Blue 2008. O grande protagonista da tournée, que passou por sete cidades do país, abriu a sua participação interpretando os temas “Não vai embora”, “Não vai dar”, “Não liga não” e “O meu melhor amigo” que contagiaram a audiência presente do recinto do espaço cultural Karl Max. A apresentação destes temas, foi intercalada com a actuação do grupo de dança “Os Anjos”.  

 

Os espectadores vibraram fervorosamente ao ritmo do som “Estou a ficar maluco” que foi acompanhado de carismáticas bailarinas, concretizando um perfeito show de dança, seguido de um festival de pirotecnia, encerrando assim a primeira parte da sua apresentação no espectáculo”….

 

Podem ver o artigo completo no link: 
http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=86393 
 
  
Entretanto por cá, vou oscilando entre momentos de alegria, de stress e de correria, coisas normais de quem já se vai habituando ao ritmo de Angola, ou melhor, de Luanda. Para serenar o ritmo infernal a que estou sujeito, aceitei um simpático convite para visitar o Parque Nacional da Quiçama. Este parque tem cerca de 10.000m2 e é composto por uma vegetação propícia para abrigar grande parte de espécies selvagens. Há quem diga que o parque decepciona os turistas, eu não senti isso, mesmo porque adrenalina não faltou e logo à chegada. Bom mas já lá vamos.
 
 
Saída de Luanda depois de uma manhã de sábado passada no escritório. A primeira paragem foi no Miradouro da Lua, já o Carlos teve mais sorte que eu, parou três vezes na polícia. Vantagens de ser branco caucasiano. Já com o estômago aconchegado seguimos em direcção ao parque. Depois de termos passado o portão de acesso, iniciámos uma pura picada angolana de aproximadamente 40 km. Pelo caminho iam ficando os mágicos embondeiros (árvores que apesar de esquisitas, são lindas). No final da picada lá estavam à nossa espera as cubatas do aldeamento, mal sabia eu o que me esperava. Entro no quarto, prontinho para tomar um duche, quando vejo a serpentear por baixo do tapete uma cobra. Não era grande mas deu para apanhar um valente susto. Antes de lhe dar um banho de água a ferver e vê-la voltar-se contra o chuveiro, tive tempo para registar o momento e bater meia dúzia de chapas. Como a água a ferver não estava a resultar e como não me apetecia dormir com aquela companhia, olhei à volta na esperança de encontrar uma arma de arremesso. Ena, um a piaçá! Arsenal bélico de alto quilate. Vou-te arrancar uma perna, pensei. Afinal foi mesmo na cabeça e à segunda pancada lá ficou estendida. Entretanto matei mais duas osgas albinas e ficaram os três animais mortos ali mesmo à porta da cubata. Razão tinha a Mafalda para dizer que aquilo mais parecia um cemitério de animais.

 

 
Engraçada foi a explicação do segurança do parque quando viu a cobra morta.

 

 
_Matou-a senhor? Perguntou ele.
_Sim matei, estava dentro de casa, respondi.
_Fez bem. Elas entram pelo respirador que tem no tecto da casa. Metemos Shertox (devia querer dizer Sheltox) elas ficam meio adormecidas e depois caem cá em baixo. Disse o homem.

 

Pensei cá para mim: Vai ser uma noite bonita vai. O buraco da Cubata estava mesmo por cima da cama. Enfim, o que vale é que poucas horas iria dormir, porque às 6 da manhã lá fomos nós de Unimog à procura dos animais. A excitação era grande.

 

 

 

A floresta da Quiçama não é propriamente o tipo de savana que estamos habituados a ver nos programas do National Geographic. Trata-se de uma floresta densamente arborizada, mas com arbustos, cactos e animais, na sua maioria vindos da África do sul.

 

 

Vimos macacos, zebras, muita passarada, gnus, veados, avestruzes, águias, tocanos, macacos entre outros animais que vêm nos livros mas não me recordo dos nomes. Percorremos o parque durante duas horas e para frustração de todos não conseguimos ver nem os elefantes, nem as girafas. Mas valeu a pena. Entretanto, depois de tomarmos o pequeno-almoço com uma vista absolutamente fantástica, fomos fazer o passei de barco no rio Kwanza. Imaginária a paisagem e lindos os crocodilos estirados na berma do rio. No regresso a Luanda ainda houve tempo para contemplar o pôr-do-sol. Do mais lindo que já vi. Às vezes numa pequena coisa pode-se encontrar todas as coisas grandes da vida. Não é preciso explicar muito, basta olhar… 

 

Acabei o dia, nostálgico, mas feliz, repleto de pó no rosto e o pensamento invadido pela vida. A minha vida. Isto tem de ser vivido. A experiência vivida, o encanto da natureza e as amizades que aqui se fazem ganham outro sentido. Adorei! Thank’s.
 

 

Entretanto, em Luanda um dos temas de destaque é as eleições legislativas no início de Setembro. Embora a opinião seja praticamente unânime (o praticamente fez-me lembrar a saída que um homem teve em Malanje quando andávamos à procura de terrenos. Depois de se identificar o terreno ele tem o seguinte rasgo de espontaneidade: “Praticamente o vosso terreno não tem minas, mas se tiver nós vamos lá e tiramos”. É reconfortante ouvir isto) onde a grande maioria diz que não vai acontecer nada e que a paz está para durar, o certo é que:
 
  • Uma petrolífera americana está a incentivar os familiares dos seus funcionários a voltarem para casa em Setembro;
  • Uma outra petrolífera incentiva os funcionários considerados não essenciais a tirar férias no mesmo mês;
  • Duas grandes empreiteiras brasileiras já fretaram aviões para fins de Agosto. Querem tirar o máximo de funcionários e seus familiares do país;
  • Uma empresa de consultoria brasileira que trabalha directamente para o governo deu férias colectivas de duas semanas no início de Setembro.

 

Pelo sim, pelo não acho que as minhas férias este ano vão ser mesmo entre final de Agosto e início de Setembro.
 
Os dias passam, também as noites e as madrugadas, o sol nasce, põe-se e eu continuo aqui à espera do silêncio que não vem. Sinto que não é fácil compreender-me, há quem não consiga. Volto atrás no tempo e verifico se valeu a pena. E sim valeu, valeu muito! Hoje tudo mudou, a vida, a idade, o sentimento, a paz…essa não me canso de a procurar.
 

 

Beijos e abraços,
      
Conde de Angola

 

 

 
 

 

 

 


publicado por Conde de Angola às 05:53
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