Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Férias...

Sexta-feira dia vinte e dois de Agosto. Tudo estava a correr bem, o check in tinha corrido sem problemas, o avião estava na pista, nós na sala de embarque com aquele ar de felicidade de quem vai regressar a Portugal. Os planos para as duas semanas de férias vão-se fazendo enquanto se vai esperando a hora de embarcar. As horas passam… o avião devia descolar às vinte e duas horas e já eram vinte e três. Para ajudar à festa, ninguém nos diz nada sobre o que vai acontecer e nós claro vamos aguentando, remédio temos. Já passava da meia-noite, quando finalmente soa um aviso nos altifalantes do aeroporto 4 de Fevereiro.

_ Informamos que o voo DT650 com destino a Portugal foi cancelado para amanhã às dezasseis horas.
Depois disto não consegui ouvir mais nada. Caiu-me tudo. Devia estar em Portugal no sábado bem cedo, para logo que chegasse a Lisboa ir à Loja do Cidadão tratar do passaporte do meu filho, pois na terça-feira seguinte tinha de seguir com ele para Cuba. Felizmente consegui tratar de tudo na segunda-feira e ao final do dia já o Daniel tinha o passaporte dele. Enfim, como tenho dito muitas vezes: Angola é nossa! Se uma situação destas acontecesse em Portugal era o fim do mundo, as televisões apareciam em peso para recolher os testemunhos dos passageiros frustrados e seria assunto de abertura dos noticiários. Em Angola é tudo normal. O avião não saiu? Paciência! Os passageiros não têm onde ficar a noite? Azar! As crianças estão com fome? Temos pena… enfim palavras para quê.
 
O que vale é que este foi mesmo o pior episódio das férias. Mal assentei pés em solo Lusitano fui presenteado com uma festa fantástica… os amigos tinham preparado uma recepção de boas vindas brindada com os melhores êxitos dos anos 80. Noite fantástica! Obrigado amigos, vocês são realmente fantásticos. Adoro-vos a todos! Escusado será dizer que esta foi uma noite em grande… valeram as horinhas que dormi no avião.
 
Quando sai de Luanda tinha a certeza absoluta do que queria para estas férias: passar o maior tempo possível com o meu filhote. Adoro o teu sorriso filho. Olhar para ti e estar contigo faz esquecer tanta coisa! Nunca pensei que o amor por um filho fosse assim, é tão especial. Tu és especial meu amor!
 
Partimos para Cuba tipo irmãos, com destino a Varadero. O hotel escolhido foi o Paradisus e como o nome indica é um autêntico paraíso à beira mar plantado. Envolto de águas transparentes e quentes é o local ideal para quem adora água. Só para terem uma ideia, as toalhas que íamos buscar diariamente só serviam para nos enxugarmos no final do dia para recolhermos ao quarto… basicamente passámos o tempo todo dentro d’água. Com o Dany é difícil que seja de outra forma, acho que para ser peixe só lhe faltam mesmo as barbatanas, as escamas e as guelras.
 
Foi uma semana em cheio e nem mesmo o furacão Gustav nos fez perder a boa disposição… só nos “estragou” um dia e mesmo assim conseguimos estar a tomar banho na piscina e a chover torrencialmente. Experimentem, a sensação é única. Fantástico!
 
Num dos dias fomos fazer o passeio a Cayo Blanco. A viagem é feita de Catamarã. A manhã proporciona uma vista maravilhosa dos barcos no alto mar, muito sol e bebidas frescas. Pelo meio-dia é-nos proporcionado um mergulho aos corais e peixes de cores coloridas. O almoço é servido na ilha, cuja visão de aproximação é algo que não se esquece. As águas pouco profundas, cálidas e de cor verde, são de uma harmonia e sintonia perfeita. A viagem de regresso é acompanhada pelos ritmos da música cubana e uma tripulação bem-disposta.
 
É claro que ir a Cuba e não visitar Havana é imperdoável e digo-vos já, que um dia só é muito pouco para uma cidade tão bela, cheia de história e de gente afável. Havana é uma cidade intensa, vivem lá mais de 2,5 milhões de cubanos. Bastará um leve fechar de olhos para imaginar os Chevys e os Cadillacs reluzentes parados à porta do Gran Teatro de La Habana, trazendo mulheres luxuosamente vestidas, e o que seria a Havana americana, quando o Casino do Hotel Nacional servia de sede ao irmão de Lucky Marciano, um mafioso conhecido mundialmente. E ainda o Hotel Sevilha, de onde os Batistti, controlavam o negócio da heroína e do jogo em Cuba. Todo este estilo mundano foi exterminado por Fidel, o mesmo político que criou a “Habana revolucionaria” onde comer um gelado na Copélia (gelataria mais fina da cidade) significa degustar os melhores gelados do mundo. Em Havana são inúmeros os lugares marcados pela história: La Floridita onde Ernest Hemingway costumava conversar com os amigos e onde ele mesmo inventou os “daiquiris”, bebida obrigatória para quem visita o país. As fábricas de charutos, o imponente Capitólio, replica do de Washington é majestoso e transmite um ar de celebridade à zona “Vieja” de Havana.
 
Facilmente se percebe que Cuba parou no tempo, os carros nunca morrem, mesmo quando faltam peças alguém as “inventa”. Não existe publicidade apenas propaganda política “Che, tu ejemplo VIVE tu ideas perduran” ou “Hasta la victoria siempre”.            
 
Neste país há mais de 11 milhões de pessoas que sofrem, de sorriso aberto para o futuro sem esconderem a sua simpatia para com o “comandante Fidel”, ou até a sua ira contra o mesmo governante que lhe dá um ordenado equivalente a 25 dólares, saúde e educação grátis.
 
Depois chegamos a Portugal e vemos um país que atravessa uma crise económica, com o poder de compra dos portugueses a diminuir diariamente. O mais grave de tudo é ver os portugueses mergulhados neste pessimismo de desgraça e de crise cheio de pessoas deprimidas. Só quem não vê os telejornais é que certamente poderá fugir a este clima de depressão. As notícias de abertura são de mortes e acidentes ocorridos em todo o mundo. Ora são inundações nos EUA, os atentados no Médio Oriente, os assaltos que são feitos diariamente aos bancos e às gasolineiras, a queda de um avião num sítio que ninguém conhece, os aumentos de combustíveis, as taxas de juros, etc... Como podemos ser um povo alegre em Portugal com tanta desgraça a entrar-nos pelos olhos dentro? Claro que podemos, o que não deve acontecer é deixar que a nossa auto-estima seja afectada por conjunturas menos favoráveis e devemos focalizar no que é realmente importante. Não faz sentido ver no telejornal as crianças dizerem que se não levarem para a escola o caderno com o boneco X ou Y já não estão na moda e são gozados pelos colegas. Mas que educação estamos a dar aos nossos filhos? E depois faço a comparação com Angola, onde as crianças querem escrever e nem uma folha têm, onde tenho rapazes que trabalham comigo, que têm 23 anos e 4 filhos e levam mensalmente 300 dólares para viverem numa das cidades mais caras do mundo e andam todos os dias de cara alegre e bem dispostos… É aqui que Angola tem sido uma grande lição de vida. Quem aqui vive diariamente em contacto com o povo aprende a valorizar o que é realmente importante. Eu estou a aprender!
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 23:37
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4 comentários:
De Nuno Neves a 24 de Setembro de 2008 às 08:49
Caro amigo espero que tenham sido as melhores férias do mundo ... pois não duram o quanto queremos, fiquei triste sim não ter dado um abraço de despedida, mas haverá outras oportunidades, em relação à crise, tenho uma solução para isso ... "tira umas fotos que isso passa", é real mas "só se vive uma vez" é o meu lema ;) , que continues a tua saga incessante com muita força e muita alegria,
um grande abraço do gaijo das Neves


De ines mourao a 24 de Setembro de 2008 às 09:55
És lindo!

Um abraço, dentro leva um beijo


De Alexandra Feliciano a 24 de Setembro de 2008 às 10:18
Continua sempre com essa tua força de vencer.
Para além de tudo o que tens feito, acho que um dia ainda vais escrever um livro :)

Beijo Grande das três :)


De Afrika a 25 de Setembro de 2008 às 13:30
Os povos dos países tropicais foram sempre mais calorosos e felizes que os restantes povos. Eu que vivi num pais tropical durante muitos anos e logo mudei pra Portugal pude, assim como tu, constatar as maiores diferenças e a maior é sem duvida as atitudes perante a as adversidades da vida. Nao tem mas são muito mais felizes e bem dispostos que nos, não tem metade das regalias que nos temos, mas são mais unidos que nos. Em suma, tudo se deve ao sol! LOL LOL LOL

Beijinho


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