Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Portugal num Lusco Fusco...

Foram meia dúzia de dias que souberam a ouro. É verdade que pouco foi o tempo que tive para estar com as pessoas que mais gosto, infelizmente desta vez, algumas nem vi. É certo que também não contava com esta ida repentina à minha terra, soube a pouco, mas antes a pouco que a nada. Reuniões destas podem vir mais, sabe sempre bem carregar baterias, mesmo que a carga não chegue a ficar completa. Eu optei por utilizar carregadores de carga constante, são carregadores que trabalham o tempo todo enviando a carga máxima. A malta cá gosta de dar carga no mambo e para isso é necessária uma grande amperagem.

 
Não escondo que já tenho saudades dos beijos e abraços que dei e dos que não dei. Recordo todas as palavras que te disse e as que não te disse me parecem mais importantes do que todas as que vivemos juntos. Saudades da forma terna como me olhas, mesmo quando deixas cair uma lágrima que finjo não reparar. Outro dia em casa tropecei na tua ausência, encontrei fotos tuas, fotos nossas. Não estás cá! Tenho tantas saudades tuas…
 
Eis que voltei depressa ao mesmo destino de sempre: Luanda. Tem sido sempre assim. Os dias vão passando rapidamente, uns mais que outros, mas todos eles passam. Nos dias que passei em Portugal perdi o Blue Road Show de Malange, mas como a Team não falha foi mais um sucesso da Blue. Fica para outras núpcias a visita à terra do Palanca Negra, às quedas de Kalandula e às pedras negras de Pungo Andongo. Pelo que contam são autênticas maravilhas da natureza, mas também não tinha piada conhecer tudo num mês só. Contudo voltei a tempo de acompanhar o Road Show na província de Kwanza Norte, mais concretamente na cidade de Ndalatando. Valeu o cansaço da viagem, as duas horas para sair de Luanda, mais as três horas e meia para chegar à cidade de Ndalatando que fica a 270km de Luanda. Pelo caminho compreendi que ainda existe em Angola harmonia entre o homem e a natureza. Percorri vários km apreciando a grandiosidade da paisagem. Ladeando a estrada imensos imbondeiros, que contrastam com verdadeiras florestas de cactos enterrados em terreno seco e vermelho. Já na cidade encontro uma terra de gente simpática e civilizada, tão civilizada que fizeram fila para entrar no Cine Ndalatando, local que acolheu mais um espectáculo do Blue Road Show. O público merecia, a Blue retribuiu com mais uma grande noite de festa. Infelizmente a cidade ainda tem uma oferta bastante deficitária no que diz respeito à hotelaria, tão deficitária que mal acabou o espectáculo eu e o Joka voltámos para Luanda. Volto a casa cansado. Foi um bom dia, pleno de emoções e novas descobertas e claro sempre em boa companhia. Cansado, mas a sorrir, afinal tínhamos cumprido a nossa missão e pelo meio ainda conseguimos fazer sorrir aquela gente. É este o poder que Angola exerce sobre nós: consegue-nos realizar humanamente.
 
Bem sei que estás longe do teu filho, que é a pessoa mais importante da tua vida... mas com o teu trabalho e de toda a equipa estás a fazer sorrir muita gente e eu "invejo-te" por isso!
 
By Cristina Lima
 
É verdade, não pensem que aqui o menino deixou de ir à igreja ao domingo de manhã. Mesmo depois de ter chegado a casa às três e meia da manhã, vindo da Ndalatando, às nove da manhã lá estava ele com a Team na Igreja da Nazaré para mais uma acção de degustação do já famoso N’Ice Tea. Desta vez até tive direito a foto e tudo.
 
Entretanto esta semana vi pela primeira vez um Ford Focus. Hummers, Porshes Cayenne, Jeeps e Mercedes, esses sim, há que nem Fords aí em Portugal. Em cada rua que passo ou a cada passo que dou vejo carros que nunca tinha visto na vida. Nos últimos dias, (recordo que a 3 de Setembro vai haver eleições legislativas) o governo faz uma propaganda brutal, ouvindo-se em vários meios que Angola é um “canteiro de obras”. Eu prefiro chamar-lhe trincheira de obras, mas há quem diga que Luanda é a Nova York de África, ou se ainda não é para lá caminha. Faz-me confusão como é que querem fazer de Luanda uma cidade ao estilo de Singapura ou Hong Kong, com torres de quarenta andares, numa cidade onde a luz falta a cada minuto. É bom que se previnam com geradores de alta potência, caso contrário a poluição sonora vai aumentar na cidade com os alarmes dos elevadores accionados por quem lá irá ficar preso. O mais triste é pensar que muita gente acha que assim é que é bonito e que só assim se viverá bem. Será que sabem o que é uma praça, um jardim, um parque? Não me parece, afinal seria um desperdício de terreno e claro ficaria muito melhor uma torre que um desses inúteis espaços de lazer. Tenho acompanhado a aberração que estão a fazer na “minha” baía. Meu deus que desastre. Estão a estender uma língua de terra pela baía dentro, para, imagine-se: construir mais duas torres, que mais poderia ser? Acho que só se estão a esquecer, é que mesmo estas torres tendo parques de estacionamento, as viaturas quando saem dos seus belos parques subterrâneos embocam num caos, onde para se fazer 2km somos capazes de demorar duas horas, como aconteceu ao Filipe Santos (meu amigo jornalista do Record) que veio acompanhar a digressão do Glorioso a Angola e quase ia perdendo o avião graças ao trânsito caótico da cidade. Enfim, Angola é nossa!
 
Há um tempo atrás disse que ainda iria fazer um trabalho de fotografia com os dizeres que se encontram nas placas e nos cartazes espalhados na cidade com vários anúncios. Autênticas obras de arte. É delicioso. Vejam! No comments.
 
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 23:47
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Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Blue Road Show - Lubango

 

A segunda paragem da nossa tournée Blue Road Show teve lugar no Lubango, capital da província Huíla e antiga Sá da Bandeira. Decorreu no passado sábado no Pavilhão do Benfica do Lubango (que mais poderia ser… o Glorioso está em todo o lado) e estiveram presentes cerca de 2000 pessoas. Foi mais uma grande noite da Blue, onde o Anselmo Ralph, o Paul G, os Zona 5 e o Leokeny brilharam ao mais alto nível, muito bem acompanhados por cantores locais e pela nossa pequena estrela Blue, a Telma, que cada dia que passa brilha mais, arrancando uma grande ovação do público ao interpretar dois temas da Yola Semedo. Parabéns à Telma pela prestação no espectáculo e pelos 15 anos comemorados durante o espectáculo.
 
Se no post anterior referi que quanto mais conhecia Angola, menos gostava de Luanda, depois de ver Lubango e as suas atracções turísticas fiquei convencido. Lubango fica situada num vale, entre montanhas, fazendo lembrar Portugal e uma das suas e tantas serras. O tempo não foi muito mas conseguimos dar uma escapadinha e ver algo mais que a cidade. Num dos intervalos de preparação para mais um espectáculo desta fantástica tournée pelas províncias de Angola, subimos um morro a 2100 metros de altitude para ver de perto a estátua do Cristo Rei. Não que não se veja bem da cidade, mas sim porque lá de cima conseguimos avistar toda a cidade e a região em volta. O monumento foi instalado em 1957 numa altura em que Lubango ainda se chamava Sá da Bandeira, no tempo colonial. Andreia, ias adorar cá voltar, a tua antiga cidade é um fascínio quase irreal.
 
Mas o Cristo Rei é apenas uma das poucas maravilhas da região. Demos também um salto à Serra da Leba. Um portento de engenharia, com uma estrada que desce a serpentear a serra e onde a paisagem muda a cada curva. Acreditem que é de tirar o fôlego com tanta beleza.
 
Num dos finais de tarde, subimos, por montes e rochas, até à própria mãe natureza. A Tundavala. A Tundavala é uma fenda, um abismo que termina numa escuridão de árvores, cobras e mistérios. Dizem que muitas vidas acabaram ali, durante os anos sombrios da guerra, e é triste pensar que mesmo a maior beleza esconde um lado de horror e morte. Em frente, lá muito em baixo, estendendo-se até ao limite do horizonte, vemos as terras dos mucubais envoltas por uma imensidão verde, aparentemente sem fim. Estão a ver o Robert Redford e a Meryl Streep no África Minha? A sensação deve ser a mesma. Brutal! Numa outra qualquer parte do mundo a Fenda da Tundavala já estaria transformada num destino turístico de eleição, com bilhetes para entrar e visitas guiadas, com histórias macabras dos antepassados e até mesmo com restaurantes, mas aqui não é mais do que um miradouro perdido no fim de uma estrada de cabras. Talvez seja melhor assim. Parto de volta para Lubango com a sensação de que nenhuma fotografia lhe faz justiça. Aquilo não é possível, todavia está ali.
 
E quando o dia termina e o sol se põe, cai a noite, silenciosa carregada de pensamentos e emoções, que transparecem como as estrelas no escuro, tão perto e ao mesmo tempo tão distantes. Neste momento, no meu sonho, o que seriam conversas longas e interessantes, sorrisos e carinhos traçados, não passam agora de imagens colocadas num álbum fotográfico ou até mesmo num ipod. Se o dia se torna noite, nós também nos transformamos e os sonhos assumem aqui todo o protagonismo. A beleza dos sonhos existe. Até já!
 
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 11:32
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Team Operativa

Tal como tive oportunidade de referir no post anterior, esta semana começámos a nossa Tournée Blue Road Show 2008 com o Anselmo Ralph como cabeça de cartaz. Vai ser bom, vai correr muito bem. Aguardo ansioso pelo passar das horas que faltam para o início da nossa viagem até Benguela, o primeiro destino da Tournée. Fizemos a viagem de carro, são 600 km de estrada boa, comparativamente com o que temos em Luanda. Pelo caminho ficaram paisagens lindas, envoltas num verde deslumbrante e atravessadas por rectas enormes. Apaixonei-me por Porto Amboim, não pela beleza da terra em si, pois trata-se de uma cidade pacata diria mesmo tranquila demais, mas coladinha ao mar com uma praia imaginária onde senti uma paz de espírito desumana. Era menino para investir ali mesmo, bem junto ao mar.
 
Como a viagem era longa pouco foi o tempo que estivemos parados, seguimos para Benguela com paragem no Sumbe para almoço e reconhecimento do local, pois o Sumbe também irá fazer parte da nossa Tournée. Um belo almocinho, mesmo por cima da praia e com a excelente companhia dos meus kambas Joka e Miguel. Passadas mais algumas horas estávamos a chegar ao Lobito. Demos uma volta pela cidade, pois no dia seguinte iríamos estar em acção com o Trio Eléctrico naquela cidade e tínhamos de garantir que os seus seis metros de altura não iriam fazer estragos. Arrancámos depois para Benguela, local escolhido para quartel-general da Blue Team. Ao final do dia já tínhamos a equipa toda reunida. No dia seguinte começava a grande operação Blue Road Show. Arrancámos cedo em direcção ao Lobito onde o Trio espalhou música e alegria pela cidade que mais parece Israel. Neste dia e fruto da minha costela de paparazzi, ia ficando sem a máquina de filmar. Fui apanhado pela polícia a filmar a passagem do Trio Eléctrico… ele deve ter pensado: Já ganhámos a nossa gasosa hoje. Sorte a nossa que foi mesmo gasosa, e da boa, era Blue só podia ser. Passado algum tempo, já com a máquina em meu poder o Comandante dizia: Bem vocês até podem filmar, mas não se ponham da parte de fora do carro, façam com cuidado. Enfim, Angola é nossa!
 
A estreia do Trio no Lobito fazia prever o sucesso que viria a ser em Benguela. Superiormente conduzidos pelos operativos da Polícia, foi um furor nas ruas daquela cidade os dias de quinta, sexta e sábado. A promoção do espectáculo estava feita. Tínhamos a certeza de que iríamos esgotar o Cine Kalunga no sábado à noite. Era impossível ficar indiferente ao aparato que criámos na cidade. A nossa certeza confirmou-se quando algumas horas antes do início do Show tínhamos a bilheteira toda vendida e ainda existia uma multidão a querer bilhetes. Sou suspeito de falar, mas vou ser imparcial nas palavras que vou dizer: Foi um sucesso! E só foi possível graças a mais um excelente trabalho da Blue Team, que mais uma vez mostrou ser a Team mais Operativa de Angola e quem sabe do Mundo e arredores… Adormeço a sorrir, esgotado, mas a sorrir. O sorriso pode não estar cá algumas vezes, mas há a certeza de voltar sempre.
 
Domingo foi dia de regresso. Viagem pacata, calma e nostálgica com pensamentos que ficam em nós, não só pelo que se viveu, mas essencialmente pelo regresso à confusão de Luanda. Depois de se conhecer mais um pedaço de Angola, Luanda ainda se torna mais triste e degradante. A vontade de todos era ficar…
 
Mas enfim, nem tudo é mau. Nesta terça-feira fui assistir pela primeira vez, ao vivo, a um jogo de Basket. Foi no pavilhão do 1º de Agosto, onde a equipa da casa defrontou o Petro de Luanda (a minha Team em Angola). Demos uma tareia na equipa da casa e vencemos por 79-89. Fantástico o ambiente vivido no pavilhão. Sabia que eram bons no Basket, não imaginei é que fossem tão bons. Dany, como me lembrei de ti. Tinhas adorado ver.
 
Bom, agora está na hora de fazer novamente as malas rumo ao Lubango, o Road Show continua. Os dias passam e o tempo escasseia como se se tratasse de uma corrida contra a maré. Confesso que não tenho muito, mas preciso de tempo. Tempo para pensar, para planear, para executar e tempo para ver com transparência o presente e pensar no futuro, risonho e repleto de boas surpresas!
 
Beijos e abraços,
 
Conde de Angola

publicado por Conde de Angola às 07:54
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